quinta-feira, março 31, 2005

Coisas da vida

Sempre ouvimos dizer que só damos valor a algo depois que perdemos. Comigo acontece muito isso. Por exemplo: dia desses teve uma tempestade de raios aqui na minha cidade. Com minha "experiência" de que minutos depois de iniciar a tempestade a energia seria cortada, saí desligando todos os aparelhos elétricos da tomada. Mas infelizmente não desconectei o modem adsl da linha telefônica e o chuveiro elétrico (já que o mesmo não possui tomada). E então fui dormir tranquila, na escuridão total e sem ventilador mas tranquila. Na manhã seguinte, a surpresa. Modem e chuveiro queimados. Ninguém merece. Sem chuveiro elétrico ainda dá para passar mas sem a internet banda larga... Quando as coisas funcionam não prestamos atenção nelas, mas quando o contrário acontece, é uma indignação. Faltar água e ter que andar um bom bocado para pegar um mísero balde, faltar a luz e você não ter nenhuma velinha em casa, cair a conexão com a tv à cabo justo na hora daquele jogo decisivo, o elevador pifar quando você chegou com as compras do supermercado. Coisas assim acontecem sempre, já prestaram atenção? Parece até uma conspiração pessoal, mesmo sabendo que várias pessoas foram afetadas pelo dito problema.

terça-feira, março 29, 2005

O tempo

Muitas vezes desperdiçamos o tempo como se fosse algo que não se acaba. Não falo aqui da eternidade, mas sim do tempo que temos aqui na Terra, nosso planetinha azul. E isso para novos e velhos. Quantos que conhecemos, ou já ouvimos falar, tiveram seu "percurso" interrompido e somos tomados por um sentimento de pesar. Mas e se fôssemos nós? Será que poderíamos dizer que aproveitamos bem o nosso tempo fosse ele pouco ou muito? Isso porque há jovens que morrem "satisfeitos" de dias porque sonharam e realizaram alguns desses sonhos. Outros, mesmo indo com mais idade, morrem "arrependidos" por não terem ao menos sonhado, quiçá realizado algum sonho.

segunda-feira, março 28, 2005

Travessia

"Quando você foi embora fez-se noite em meu viver
Forte eu sou mas não tem jeito, hoje eu tenho que chorar
Minha casa não é minha, e nem é meu este lugar
Estou só e não resisto, muito tenho pra falar
Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar..."

Trecho da música Travessia
Composição: Milton Nascimento / Fernando Brant

domingo, março 27, 2005

Feliz verdadeira Páscoa

O verdadeiro sentido da Páscoa é a libertação do povo de Deus da escravidão do Egito. O sangue de um cordeiro na verga da porta fez a diferença naquele dia entre quem era de Deus e quem não era. Jesus foi o último cordeiro a ser sacrificado. Ele morreu por nossos pecados, aquilo que nos separa de Deus, e ressuscitou ao terceiro dia para nos garantir também a vitória sobre a morte! Ele ainda hoje continua fazendo a diferença...

sexta-feira, março 25, 2005

Férias do João

Ok pessoal, vamos aproveitar que o João está de férias (férias??!!, vocês conhecem alguém que tenha tantos dias de férias como o João??) e vamos bagunçar esse blog. Por falar nisso, confesso que já pensei em conseguir uma vaguinha de trabalho em Cabo Verde, mas aqui no Brasil só tem vagas para Timor Leste.

quinta-feira, março 24, 2005

Vou de férias...

Durante uns dias vou estar ausente. Altura de viajar e de estar com alguém que gosto muito. Depois falarei sobre isso. Desejo-vos uma boa Páscoa.

P.S. Caros Liliana, Sérgio (já morreste, pá???) e Renata, o blogue durante estes dias é inteiramente vosso. Aproveitem a minha ausência :)


quarta-feira, março 23, 2005

Humildade

O mundo precisa de mais pessoas inteligentes humildes! Hoje em dia somos muito poucos...

Porque é que os portugueses associam tanto o sexo à alimentação?

Uma das expressões mais curiosas, no nosso bom português, é aquela que se diz de uma pessoa que é atraente: “É boa como o milho!”. Mais que curiosa esta expressão é intrigante, pois o milho, temos de o reconhecer, não é assim tão bom como isso. Outra coisa irritante que se faz muito em Portugal é chamar “figos” às pessoas e esperar que as pessoas se sintam envaidecidas com isso. “Chamava-lhe um figo”, como se o figo fosse uma coisa fabulosa para estar assim a chamar às pessoas... Também só em português é que quase todos os nomes de frutos ou peixes são, por si só e por contexto, potenciais obscenidades. Os exemplos são muitos e nem vale a pena os mencionar. De facto, seja milho ou seja figo, a lição é clara: o povo português tem um tal amor à alimentação, sacralizando tanto aquilo que come, que sobrevaloriza certos alimentos, ao ponto de os confundir com objectos de paixão bastantes mais elevados, como sejam a título de exemplo, as pessoas. A pedra de toque desta inefável associação portuguesa do sexo e da alimentação, é o uso que se faz dos verbos que mais comummente se usam para designar a acção de quem se alimenta. O comer (e os seu congénere papar) não acabam nos confins da mesa do almoço ou do jantar... Ora bem, as conotações sexuais que há muito se deram a estas simples palavras fariam que um marciano, ao ouvir dois portugueses acerca de uma recente conquista, julgasse a nação portuguesa como um povo orgulhosamente canibal. A verdade é que deve haver uma explicação bem lógica para isto tudo. Talvez se deva à falta generalizada de ambas as coisas, não sei. O que vos parece?

Disse Fêmea

Mal eu sabia
Que a vida rouba os sonhos
Mal eu sabia
Que o mundo nos desmama
De paixões surdas,
Cava na cara
Sulcos secos,
Sulcos secos

Disse fêmea
Mulher feita
Faz-te fêmea
Ama-te a ti mesma
O mundo espera
Cheio de tudo(...)

Eu não sabia
Que nascemos sombras
Eu não sabia
Que todos têm medo
De falhar, de perder
Não há braços de fêmea
Para embalar
O mundo...

Disse fêmea
Mulher feita
Acabou-se o que era doce
Acabaram-se os amantes
O preço da mão estendida é
A pagar, a pagar,
Mais cedo ou mais tarde
Não repitas os meus erros
Menina feita mulher
(...)

J. Palma (in História Minha)

terça-feira, março 22, 2005

Mariquices

E agora que isto está a correr tão bem...

Ando sem tempo para escrever no blogue. O que é uma pena, pois não é todos os dias que o Porto perde, que chove em Portugal e que o Luís delgado diz bem do governo.

segunda-feira, março 21, 2005

A respiração do navio

Um cheiro a Tejo ou mar invade-me os pulmões à medida que o porto está cada vez maior nos meus olhos. À medida que os passos que me separam do navio são cada vez menos. O dia, muito cinzento. É o dia em que tenho que partir. O céu, muito cinzento, matou a noite, matou o sol. O meu corpo não sabe que horas são, só o relógio do meu pai me diz que tenho que me apressar. Sobre o Tejo ou sobre o mar, muito cinzentos, está o navio onde vou partir para oriente. Não tenho ninguém no porto para se despedir de mim. Mas olho para um rapaz e tomo-o como se fosse meu. Imagino que aquele sorriso branco se despede de mim. A mão dele acena-me. Sou eu, a criança que eu fui, a despedir-se da sombra que sou hoje e que foge.

O navio deixa o Tejo e é completamente tomado pelo mar. Um dia após o outro. Em que escrevo, ou fico muito tempo a olhar para a caneta e para o papel a tentar escrever. Em que passeio, a sentir as tábuas do chão do navio estalar por baixo dos meus pés. Uma noite após a outra. Em que me deixo cair num ócio e numa apatia a olhar as estrelas. O céu da noite é muito escuro no alto-mar. Tento escutar o silêncio no meu quarto, mas as ondas invadem-me o cérebro e embalam-me sem me deixar dormir.

O ar é uma náusea. Começo a sentir a minha pele a latejar. As saudades são uma febre que me percorre. Tenho frio, tanto frio. Tenho calor e sinto-me derreter. Os lençóis tornam-se um lodo. Tremo na cama. Sinto o cheiro acre e doce a suor. Vejo as minhas malas maciças de couro no canto do quarto e percebo que sou o mesmo que partiu. Só que agora empacotado num quarto pequeno e oscilante. Não chamo ninguém. Não quero sentir nem sol, nem vento, nem vida. Mas batem à porta. Não respondo, não sei se ainda tenho voz. Uma camareira entra e os seus olhos assustam-se. Corre a chamar um médico. E eu deixo-me curar com frascos baços e líquidos amargos. Deixo-me ir com o corpo para oriente. Porque sempre me deixo ir nas ondas para onde o mundo me quer levar.

Eu amo a segunda-feira

Sei que existe um certo preconceito quanto à pobre segunda-feira. Muitos a odeiam. Mas para mim há um motivo todo especial para amar a segunda-feira: é o dia mais distante da próxima segunda-feira.

Contrastes

by Liliana Moita

domingo, março 20, 2005

Como toda a gente

Sou vil, sou reles, como toda a gente
Não tenho ideais, mas não os tem ninguém.
Quem diz que os tem é como eu, mas mente.
Quem diz que busca é porque não os tem.

É com a imaginação que eu amo o bem.
Meu baixo ser porém não mo consente.
Passo, fantasma do meu ser presente,
Ébrio, por intervalos, de um Além.

Como todos não creio no que creio.
Talvez possa morrer por esse ideal.
Mas, enquanto não morro, falo e leio.

Justificar-me? Sou quem todos são...
Modificar-me? Para meu igual?...
— Acaba lá com isso, ó coração!

Álvaro de Campos

Constatação

Cada vez sobra mais mês no fim do meu salário.

sábado, março 19, 2005

Outros futebóis...

Só agora, que recomecei a jogar futebol, é que me apercebi do contexto futebolístico no qual estou envolvido. Por aqui, os jogadores são, de uma forma geral, tecnicamente evoluídos mas muito fracos tacticamente. Até a jogar na brincadeira se nota. Além disso, têm um hábito terrível de passarem todo o jogo a discutir com os elementos da própria equipa. Outra particularidade é que ninguém gosta de ir à baliza. Por isso, os jogos que fazemos jogam-se com balizas minúsculas de um passo. Mais interessante ainda é perceber, e falo destes jogos entre amigos, que existem estratificações futebolísticas, que de alguma forma, consoante a qualidade dos jogadores, constituem autênticas divisões por categorias. Assim, pelo que me apercebi existem, pelo menos, quatro classes distintas. A primeira constituída pelos jogadores das equipas federadas de futebol 11 e que, por norma, só jogam entre eles pois julgam-se a elite futebolística da ilha. A segunda, composta também pelos jogadores das equipas de futebol 11 federado mas que não são convocados, e que são, mesmo assim, considerados bons jogadores e aqueles que melhor forma física têm. A terceira, composta por jogadores, que embora não joguem numa equipa federada de futebol 11, são considerados, por um ou outro motivo, jogadores com um certo jeito. Nesta categoria, entram várias classes de futebolistas. Desde os demasiados lentos para o futebol 11, os com mais de 30 anos, os jogadores mais ou menos bons e as jovens promessas. Por último, a quarta categoria. que é formada por aqueles jogadores que não conseguiram entrar na terceira. Ou seja, os tipos que não têm muito jeito mas que pensam que sabem jogar futebol. E a verdade é que, apesar de esforçados e dedicados, são uns autênticos cepos, lentos, sem garra e sem habilidade nenhuma. Ora bem, eu actualmente estou a jogar nesta categoria. Mas, sem falsas modéstias, já me começo a destacar. Pelo menos é o que dizem os olheiros. Até há quem diga, à boca aberta, que devo começar a treinar na terceira categoria, pois nesta já começo a atrapalhar o futebol dos meus companheiros. Por isso, quando a condição física melhorar, é possível que ocorra um salto na minha mais recente carreira futebolística. Mas muito sinceramente a ambição já começa a subir-me à cabeça... e por isso, o céu é o meu limite.

Hora de ponta II

by Liliana Moita

sexta-feira, março 18, 2005

Constatação

A pior das sextas-feiras ainda é melhor do que a melhor das segundas-feiras...

Há dias que um gajo não devia sair sair de casa... muito menos para ir trabalhar!

Sexta-feira. Ultima semana de aulas do 2º período. Quarta aula do dia. Avaliações feitas. Matéria chata . Professor cansado e sem paciência. Uma turma de 35 meninos de 15 e 16 anos. Dois ou três engraçadinhos. E um calor imenso. Junte-se tudo isto e tem-se a pior aula deste ano lectivo. Resultado: 5 alunos postos na rua com falta disciplinar e 15 minutos de aula tranquila. O que vale é que faltam poucos dias para as férias...

Obrigação

Sim, meu amor, está bem meu amor
Eu sei que tu tens razão
Dizia-te eu, às vezes, para acabar
Com a discussão...

Como era bem vivermos a dois
Sem nos darmos mal
E uma noite tu disseste:
Já dei p'ra ti meu... vou arrancar!
E lá fiquei eu, sózinho,
A conversar com os meus botões
E a tentar descobrir a causa
Que nos levou a tal situação...
Já achei uma ideia que é bem capaz
De ser a solução:
Acho que nós passamos muito tempo
A misturar tripas com coração
E a verdade é bem diferente.
Para haver amor, não pode haver obrigação.

Jorge Palma

Hora de ponta

( Ribeira Prata / Cabo Verde )

quinta-feira, março 17, 2005

Lema da Administração Pública

Teoria é quando se sabe tudo e nada funciona; prática é quando tudo funciona e ninguém sabe porquê. Na administração pública conjugam-se a teoria e a prática: nada funciona e ninguém sabe porque!...

O tempo tudo cura...

Durante estes dias recomecei a jogar futebol. Talvez tenha sido uma das melhores coisas que me aconteceram ultimamente. E não estou a exagerar, pois há dois anos que não o fazia. E não porque não quisesse, mas sim porque não podia, pois tinha um joelho que me o impedia. Bastava correr apenas 5 minutos para ter que parar com dores. Os médicos especialistas nunca conseguiram detectar qualquer problema que fosse e, por isso, remeteram-me sempre para mais exames. Entretanto vim para Cabo Verde e não pude completar todos exames. No início ainda pensei que isso passasse, mas cada vez que tentava jogar, e foram muitas vezes ao longo destes dois anos, o joelho não me o permitia fazer por mais do que 5 minutos. E assim, resignei-me a esta condição de lesionado permanente qual Mantorras. E acreditem que não foi nada fácil, pois o futebol sempre foi uma grande paixão e o meu hobby favorito. Ainda para mais aqui, em Cabo Verde, onde o maior passatempo dos homens é o futebol (claro que também há as mulheres, mas adiante...). Pois bem, há uma semana atrás já tinha tido a impressão que o meu joelho estava melhor, pois, num passeio que fiz, pus-me a jogar futebol com o pessoal e a coisa aguentou-se sem dores para além dos 5 minutos da praxe. Por isso, esta semana, decidi fazer um teste para verificar o estado do meu joelho tal qual um jogador da bola a sério. Corri durante 40 minutos sem uma única queixa. Fiquei radiante. Mal podia acreditar que, assim do nada, o meu joelho se tinha curado. Para tirar as teimas, hoje decidi ir novamente correr. Mas, a convite de uns amigos, acabei por ir jogar futebol. E não é que, durante os 40 minutos que joguei, o fiz sem nenhum problema?! Ou melhor sem nenhum problema no joelho, porque quanto à condição física e à habilidade a coisa está uma lástima. Mas hei-de voltar aos velhos tempos. Ou então não.

Todos diferentes todos iguais

quarta-feira, março 16, 2005

Cabo Verde na União Europeia

Mário Soares e Adriano Moreira, dois dos principais senadores da República, defendem, em entrevistas para A Capital (sem link), a integração, mesmo que a longo prazo, do Estado de Cabo Verde na União Europeia. Por razões políticas, mais de identidade do que de distância, com os pés na África, mas a cabeça na Europa, Cabo Verde está tão próximo ou mais de nós, europeus, do que a Turquia.

A ideia não é nada absurda e muito menos impossível de concretizar. Por inúmeras razões, seria excelente para Cabo Verde mas também para a comunidade europeia. Em breve, com mais tempo, voltarei a este assunto em maior detalhe.

Conselho

Nunca bata em ninguém com óculos!! Use os punhos. É mais eficiente...

Filematologia

Filematologia é a ciência que se dedica ao estudo do beijo. Beijar significa "fazer um contato pela boca para expressar sentimento".
Recebi um email de meu sobrinho sobre esse assunto e achei muito interessante compartilhar com os leitores do "coisas breves" algo que me chamou a atenção em particular. Para os que não gostam de malhar e estão em forma (de melancia, diga-se, e com uma suave cinturinha de ovo), vai aí uma ótima notícia: você pode emagrecer beijando.
Um beijo caliente, que dure 10 segundos, é capaz de queimar até 12 calorias. Veja quantos beijos, por exemplo, você precisa dar para dizer adeus às calorias de:
1 porção de lasanha - 107 beijos
1 Big Mac - 46 beijos
1 barra de chocolate (100 g) - 45 beijos
1 milk-shake de chocolate - 31 beijos
1 bola de sorvete de creme - 29 beijos
1 garrafa de cerveja - 25 beijos
1 cachorro quente - 24 beijos
1 fatia de pizza de queijo - 24 beijos
1 fatia de bolo de chocolate - 20 beijos
1 fatia de bolo sem recheio - 16 beijos
1 latinha de Coca-Cola - 11 beijos
1 tacinha de pudim de baunilha - 10 beijos
1 copo de suco de laranja - 9 beijos
1 banana - 8 beijos
1 bombom - 7,5 beijos
1 bola de sorvete de morango - 6 beijos
1 maçã - 6 beijos
1 picolé de frutas - 5 beijos
1 brigadeiro - 4,5 beijos
1 goma - 2,5 beijos
1 rebuçado - 1,5 beijos

Aproveitem pessoal!!!

Canção do Dia de Sempre

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como essas nuvens do céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência...esperança...
E a rosa louca dos ventos
presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...

Autor: Mário Quintana

Traços portugueses

( Vila da Ribeira Brava / Cabo Verde )

terça-feira, março 15, 2005

Retratos de Portugal II

Continuo a ler as Causas das Coisas e a ficar surpreendido com a actualidade e qualidade das crónicas. Hoje, aproveitando o facto de os alunos estarem a fazer teste, li mais umas páginas. E mais uma vez não resisto a trazer para este blogue alguns pedaços do que li.

A anedota da semana não podia vir mais a jeito. A NASA decide arranjar um astronauta europeu para ir a Marte. São seleccionados um inglês, um francês e um português. O primeiro a ser entrevistado é o inglês. Quando chega a altura de discutir a recompensa, o inglês pede nove milhões de dólares. O funcionário da NASA acha muito e quer saber porquê. O inglês explica que é casado, tem três filhos e que uma missão tão perigosa tem de ser devidamente paga. “ Está bem, vamos a ver”, diz o americano mandando entrar o francês. O francês pede nove milhões de dólares. O entrevistador insiste em saber a razão de uma soma tão grande. O francês explica: “ Está a ver – sou casado, tenho três filhos. Cinco milhões de dólares são para mim e para a minha família. E os outros quatro milhões de dólares são para dividir entre mim e as minhas duas amantes.” Chegou então a altura de entrar o português. Passa todos os testes e, mais uma vez o americano quer saber quanto é que o astronauta português quer cobrar. O português também pede nove milhões de dólares. Quando o americano lhe pede explicações, o nosso compatriota arregaça as mangas e avança com a resposta: “ Ora bem... três milhões de dólares, para já, são para si, para o meu amigo me escolher a mim. E ficam seis. Três milhões de dólares são para mim. E os outros três milhões são para quem for a Marte, que se há-de arranjar alguém.”

Esta anedota ilustra perfeitamente a arte portuguesa de subornar. (...) É um esquema simpático entre amigos, em que “ganham” todos. Não há chantagem nem culpa – é somente um contrato entre espertalhões, em que a única pessoa que se lixa é o terceiro, o desconhecido, ou o abstracto. (...) O suborno à portuguesa é uma espécie de pequeno conluio contra o Estado, um acto concertado e pontual de desobediência civil. A corrupção em Portugal não é, salvo escandalosas excepções, um grandioso sistema de fraudes. É um somatório tremendo de incalculáveis pequenos golpes, praticado por pessoas diferentes em situações diferenciadas. (...) A corrupção entre nós nunca é “alta”. Pelo contrário, é baixinha, atarracada, toda “por baixo da mesa e não se fala mais nisso”. (...) Todos os portugueses são culpados porque todos nós participamos. Nada interessa que tenha “sido só daquela vez, par arranjar o apartamento”, ou para conseguir a certidão mais depressa, ou para evitar chatices. Só não somos todos corruptos porque somos todos corruptinhos.

Por alguma razão quando se conta a anedota dos astronautas, a reacção habitual é julgar que “o português é que foi esperto”. O mal de Portugal é esse. Somos todos demasiados espertos, o que não seria trágico, se o estado não fosse tão estúpido. A burocracia convida os cidadãos a aldrabá-la, porque a alternativa à aldrabice é tão penosa, tão cara, tão morosa e tão chata. (...) Com um estado lento e estúpido e uma sociedade civil toda “pepe rápida” e espertalhaça, estão criadas as condições para o desenvolvimento livre e desenfreado do sistema português da aldrabice. É claro que ninguém quer, que ninguém gosta, mas também é verdade que, sendo assim, ninguém resiste.

Miguel Esteves Cardoso, in A Causa das Coisas

Evidência

O único modo de alguém ser feliz é julgar-se feliz!

Dia do pi

Ontem foi o dia do Pi (3/14), por isso este post vem com um dia de atraso. Provavelmente nenhum símbolo matemático evocou tanto mistério, romantismo, falsas concepções e curiosidade humana como o número pi. De facto, o pi não é um número qualquer e muito menos um irracional inocente. Acontecem nele fenómenos curiosos, senão mesmo estranhos. Vejamos algumas das curiosidades que envolvem o número pi:

- O pi é o número de vezes que o diâmetro do círculo caberá na sua circunferência.

- O inglês William Jones foi o primeiro matemático a utilizar a letra p para representar o número pi. Mas essa notação somente passou a ser utilizada quando Euller, um matemático mais respeitado, adoptou-a.

- Na Holanda, o matemático Ludolph Van Celen (1539-1610) determinou primeiro 20 e depois 35 casas décimais para o número p. Quando morreu, na sua lápide foi gravado o número com 35 casas décimais, e até hoje na Alemanha o número é chamado de Número de Ludolph.

- O valor de pi é conhecido há aproximadamente 4000 anos. Os gregos, egípcios e babilônios já o conheciam com uma precisão bastante aceitável.

- Os 10 primeiros algarismos do número pi são coincidentes com a quantidade de letras de cada uma das palavras da frase “Sou o medo e pavor constante do menino vadio, bem vadio”, ou seja, 3,1415926535.

- São conhecidos 1.241.000.000.000 casas decimais do número pi, calculadas por Y. Kamada, da Universidade de Tokio em 2002.

- Considerando as primeras 6.000.000.000 casas décimais do p temos
que o 0 ocorre 599963005 vezes, 1 ocorre 600033260 vezes, 2 ocorre 599999169 vezes, 3 ocorre 600000243 vezes, 4 ocorre 599957439 vezes, 5 ocorre 600017176 vezes, 6 ocorre 600016588 vezes, 7 ocorre 600009044 vezes, 8 ocorre 599987038 vezes e 9 ocorre 600017038 vezes.

- Existem mais de 1.090.000 (um milhão e noventa mil) páginas na Internet que fazem referência ao valor de pi.

Uma imagem vale mil palavras... mas hoje não...

O blogspot está com alguns problemas, especialmente em publicar imagens. Por isso, hoje não há foto para ninguém. A ver vamos se isto melhora nos próximos dias.

segunda-feira, março 14, 2005

Verão

E por aqui em Angra dos Reis o verão continua firme e forte. Temperaturas acima dos 30º e umidade relativa do ar em torno dos 90 a 95%. O que significa que estamos sempre suados e com a roupa molhada. Difícil é manter o cabelo arranjado com tanto suor escorrendo pela cabeça. Sei que no período da colonização ainda não havia esses fenômenos climáticos que temos hoje mas acho que o verão deveria ser quente e úmido (talvez um pouco menos por causa das árvores) como é hoje. Devia ser muito engraçado e quase incompreensível para um indígena ver os "brancos" com toda aquela roupagem (não sei como aguentavam, sinceramente). Como estou grávida sinto ainda mais calor do que o normal e para mim, pelo menos em casa, andar com o barrigão à mostra é fundamental. Banhos são cerca de 4 por dia sem exageros. Com exageros são 6. O verão não é a estação que mais gosto, na verdade prefiro as chamadas meia estações. mas ele nos proporciona passeios em lugares maravilhosos.

Citação

Todos vivemos sob o mesmo céu, mas ninguém tem o mesmo horizonte!

Konrad Adenauer

Semana de testes

Esta semana vai ser difícil. Vai ser a semana dos testes, das correcções, das notas. Por isso é muito provável que o Coisas Breves fique um pouco para trás. O que vale é que já só faltam menos de duas semanas para as férias da páscoa. Confesso que já ando a contar os dias, as horas e os minutos. Já agora, faltam nove dias, doze horas e trinta e três minutos.

À espera de algo que não chega...

by Carla Merendeiro

domingo, março 13, 2005

Esperança

Porque sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.

Romanos 8:28

sábado, março 12, 2005

FCP 0 – 4 Nacional

Estava eu ontem a jantar entre alguns portistas, quando alguém se lembrou de perguntar como estaria o jogo do Porto. Sem televisão por perto, um dos convivas apressou-se a fazer um telefonema. O Porto perdeu por 4-0, informou-nos ele com um sorriso na cara. Claro que ninguém acreditou. E por isso, alguém decide confirmar a história com mais um telefonema. Parece que o Porto perdeu mesmo por 4-0, confirma este com um ar surpreso. Apesar de eu por esta altura já estar a rir-me às gargalhadas, os portistas mais fiéis, não querendo acreditar no que lhe diziam, riam e afirmavam que o pessoal que tinha feito os telefonemas estavam feitos um com o outro, e que aquilo não passava de uma brincadeira. Por isso mais um telefonema e desta vez para a própria esposa para acabar de vez com as dúvidas. E pronto, as dúvidas dissiparam-se mesmo. O Porto perdeu 4-0, ponto final parágrafo.

O parágrafo é só para dizer que o benfica nunca esteve, nem estará, tão próximo de ser campeão como neste ano. Por isso, ou ganham isto este ano ou mudo de clube.

sexta-feira, março 11, 2005

Frase do dia

Nós estamos preparados para qualquer imprevisto que possa ocorrer ou não.

George W. Bush

Fotografar

Muitas das fotos que tenho publicado neste blogue são tiradas em Cabo Verde. Se é verdade que Cabo Verde tem excelentes condições para fazer uma boa fotografia, também é verdade que nem sempre é fácil fazer essa fotografia... A este propósito, publico aqui uns pedaços de um excelente post que encontrei no Africanidades, com o qual me identifiquei...


O DILEMA DE FOTOGRAFAR A POBREZA



A foto retrata um momento muito comum, quando as crianças africanas, sobretudo as menos habituadas ao contacto com estranhos, vêem turistas perto de si. Pouco habituadas a ver brancos - ainda por cima feios, como o que escreve estas linhas - algumas crianças assustam-se e começam a chorar assim que se deparam com rostos fora dos cânones a que estão habituadas. Foi o que sucedeu na ocasião retratada. (...)

Face ao choro da criança, a primeira preocupação do irmão mais velho foi agarrar o maninho e apertá-lo nos seus braços, como que para o proteger. O choro cessou imediatamente e a criança parou de soluçar. É precisamente este o momento que está registado. Nesta foto vemos um menino a proteger o irmão e quase que podemos sentir a força do seu abraço.

A situação pode também ser analisada do outro lado da objectiva. Pouco habituado a ver crianças pretas, mal vestidas e a chorar, o branco fotógrafo teima em registar todos os movimentos que elas façam, para mais tarde mostrar aos amigos. A reacção será esta: "Que fotos tão bonitas!"

Fotografar em África é a coisa mais simples e mais complicada do mundo. A mais simples, porque as fotos saem, invariavelmente, belas e genuínas. A mais complicada, porque as situações retratadas são, invariavelmente, situações de miséria extrema e de exclusão social.

Era exactamente aqui que queria chegar, pois não foi para vangloriar os meus dotes de fotógrafo que escrevi este post. A razão é outra e baseia-se em dúvidas que me assaltam de vez em quando, especialmente quando assisto a exposições de fotografia (sobre África) e vejo as próprias fotos que faço e que retratam situações de pobreza, esquecimento e abandono.

Regra geral as exposições sobre África são um sucesso, pois a pobreza, no geral, vende bem e a pobreza africana, ainda melhor. Qualquer exposição com meia dúzia de fotos de criancinhas esfarrapadas e sujas está vaticinada ao sucesso. As minhas fotos também não me têm deixado ficar mal, pois os amigos vão escrevendo a elogiar. Por isso pergunto: Deve a miséria fotografar-se?

Jorge Neto, in Africanidades

Sabia lá eu?!?

Andava eu todo contente por agora ter internet por Adsl, e assim poder finalmente reduzir custos, quando me aparece a respectiva conta para pagar. E, pronto, como devem calcular, lá se foi toda a alegria (rapidamente transformada numa enorme raiva, diga-se!). Então não é que estes chulos da Cabo Verde Telecom, empresa do grupo Portugal Telecom, me apresentaram uma conta, apenas do serviço Adsl, de 340 Euros?!? E tudo isto, porque afinal havia um limite de 1000 Megas de downstream, e não sei mais o quê. Mas, sabia lá eu o que é o downstream!?! Sabia lá eu que só de estar ligado à internet estou a consumir montes de Megas de dowstream?!?! Sabia lá eu que a minha ignorância me ia render, nada mais nada menos, do que 1160 megas de dowstream acima do limite?!? Sabia lá eu que iria ter que pagar 25 cêntimos por cada Mega adiconal?!? Sabia lá eu que isso iria perfazer a bonita quantia de 340 Euros?!? Porra, santa ignorância! Não há direito (nem dinheiro, diga-se!). Bem, mas o que vale é que, pelo menos agora, fiquei a saber que não vou ter dinheiro para as minhas férias nem sequer para pagar as minhas dívidas. Valha-me isso.

Muda de vida

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens...que ser assim?...

Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver

António Variações

Coisas simples

By João Paradela

quinta-feira, março 10, 2005

As Causas das Coisas

Actualmente, ando a ler os Cem anos de Solidão, do Gabriel Garcia Márquez. Estou a gostar de o ler, apesar de não ser bem o meu género. Talvez por isso, hoje, senti necessidade de ler outro tipo de livro. Assim, e aproveitando um furo nas aulas, fui à biblioteca da escola e, após algum tempo de pesquisa, dei de caras com A Causa das Coisas, de Miguel Esteves Cardoso. Requisitei-o de imediato. Ora, como quase todos os livros do Miguel, já tinha lido este livro, há talvez 12 anos atrás, e apesar de não me lembrar propriamente dos textos, sabia que era aquilo que procurava, que precisava. Comecei a lê-lo como se fosse a primeira vez. E confesso que adorei, ao ponto de um colega dar comigo a rir à gargalhada com o que lia. A verdade é que agrada-me bastante a forma como o Miguel escreve. É talvez o escritor que mais gosto, que mais faz o meu estilo. Faz-me lembrar o Eça com as suas Farpas. Por isso, não resisto a reproduzir aqui alguns pedaços do que vou lendo, pois sinto-me tão identificado com o que leio, que é impossível não o fazer. Vale bem a pena. Acreditem.

Dúvida matemática...

Se hoje está uma temperatura de zero graus e se amanha fizer o dobro do frio de hoje, que temperatura estará?

Retratos de Portugal I

Em Portugal, como todos os portugueses sabem é muito raro conseguir seja o que for. Em contrapartida, tudo se arranja. O arranjar é hoje a versão portuguesa do conseguir. É verdade que “Quem espera, sempre alcança”, mas, como ninguém está para esperar, em vez de alcançar o que se quer, arranja-se outra coisa qualquer.

No fundo, é talvez, por não se terem as coisas que elas se têm de arranjar. Não se tem tempo, mas arranja-se. Já não há bilhetes, mas conhece-se alguém que os arranja. Ninguém tem dinheiro, mas vai-se arranjando para o tabaco. (...)

Já quase ninguém diz, em privado, que se vai “conseguir” ou “obter” ou “alcançar” ou “garantir”. Já não colhe. Nos países estrangeiros ainda se acredita que se criem postos de trabalho. Em Portugal, arranjam-se empregos. (...)

Enquanto tudo se continuar a arranjar nada se há-de conseguir em Portugal. O mercado dos arranjos, dominado por uma multidão de arranjistas e arranjões, é maior e está mais bem implantado que qualquer mercado negro. Para sair da mentalidade viciosa do arranjismo nacional, é preciso que cada português comece a distinguir entre arranjar e conseguir. Arranjar é obter algo por razões alheias ao mérito próprio e à justiça das circunstâncias – e logo representa tudo o que o Conseguir, leal e esforçado, não é. O arranjismo pode ser um reflexo do subdesenvolvimento, mas também é ao mesmo tempo, o principal motor dele. Assim como não se arranjou chegar à Índía, ou acabar com a pena de morte, ou escrever os Lusíadas ou a Mensagem, ou qualquer das outras coisas boas que os portugueses conseguiram fazer, sem truques ou manigâncias ou espertezas saloias, também não se há-de arranjar sair deste poço cultural em que caímos. Arranjar é próprio de um país miserável (“Desculpem, mas não foi possível arranjar mais...“). É preciso começar a conseguir as coisas, seja com que dificuldade for. Senão Portugal chegará a um ponto em que nem arranjo há-de ter.

Miguel Esteves Cardoso, in As Causas das Coisas

A vida dura do mar

(Santo Antão / Cabo Verde)

quarta-feira, março 09, 2005

Seca? Catástrofe?

Hoje, no telejornal da tarde da SIC, passou uma reportagem sobre a situação de seca que Portugal, em especial o Alentejo, está a viver. Alguns dos entrevistados queixavam-se nunca ter visto nada assim nos últimos 40 nos e que o que estava a acontecer era uma catástrofe, pois as colheitas já se tinham perdido, os animais já não tinham pasto para comer e que até o consumo de água teria de ser racionado.

E eu pus-me a pensar... e a lembrar que, em Cabo Verde, raramente chove, havendo locais onde não cai uma gota de água há mais de 7 anos. Mas que mesmo assim as pessoas vão vivendo. Sobrevivendo. Sem ajudas, sem subsídios, sem agricultura, sem gado, sem água... e claro, sem telejornais, sem entrevistas...

Mas com o mal dos outros podemos nós bem, não é verdade? Venham mas é os subsídios que o pessoal precisa de comprar jeeps novos.

Só para lembrar...

Que o chocolate não engorda: quem engorda é você!

O Governo

Neste tempo em que estive afastado deste blogue algumas coisas importantes aconteceram, entre as quais a revelação dos nomes dos ministros do futuro governo de Portugal.

Apesar da forma exemplar como todo o processo de formação de governo decorreu, não posso esconder que fiquei um pouco decepcionado com a lista de ministros apresentada. Talvez porque tinha uma expectativa muito alta e, por isso, esperasse outros nomes, entre os quais António Vitorino, mais mediáticos, com outro peso.

No entanto, acho que o governo é equilibrado e na sua globalidade bom. Agradou-me especialmente o facto de metade dos ministros serem independentes e de grande parte dos antigos ministros de Guterres agora repescados serem aqueles que melhores provas deram. Quanto à composição propriamente dita dividiria-a em três grupos. O das boas escolhas, especialmente para as Finanças, Economia/Inovação, Administração Interna, Saúde, Ciência/Ensino Superior e Ambiente, todos com nomes fortes e do melhor que temos em Portugal. O das escolhas duvidosas, nomeadamente na Segurança Social, Educação, de quem não se conhece uma ideia na área, e especialmente na justiça, com a indicação de uma personagem, Alberto Costa, pela qual tenho as maiores reservas e as piores impressões. E, finalmente, o grupo das outras escolhas, para as quais sou indiferente, à excepção do nome de Freitas de Amaral para a adequadissima pasta dos Negócios Estrangeiros, que de alguma forma me deixou com um sorriso na cara, e me fez acreditar que vamos ter uma governação feita ao centro com políticas reformistas. O futuro o confirmará ou não. A ver vamos.

Mas o que eu agora quero, não é mais nomes, é que governem, porra. Com competência, coerência, credibilidade, coragem e determinação. E sem desculpas. Claro.

Dá-me Ar

Dá-me ar
Quero vento para tentar
Quero luz só para me ver
Quero ferro para trincar
Quero olhar de frente o sol
Até queimar...

Dá-me ar...

Quero um trono para perder
Quero um quarto para gritar
Quero gente para roer
Quero um mundo para puxar
Até morrer...

Dá-me mais

Quero terra para beber
Quero Deuses para lutar
que o mais fácil é perder
que difícil é pensar
em acordar...

Toranja

terça-feira, março 08, 2005

Ainda sobre o dia de hoje...

A forma mais digna de mostrar alguma consideração pelas mulheres seria não ter escrito nada sobre o assunto, tal é a alarvidade que, para mim, este dia internacional das mulheres representa. Mas não resisti. Não pretendo, porém, fazer nenhuma homenagem nem nada do género. Até porque este dia serve precisamente para me lembrar que a mulher ainda recebe um tratamento diferenciado da sociedade. Assim como acontece com os idosos, as crianças, os gays, os deficientes, os analfabetos, os negros,...

Sabem o que eu acho?

Essencialmente, coisas perdidas.

Dia Internacional da Mulher

A primeira proposta de criar um dia em homenagem às mulheres foi feita pelo Partido Socialista norte-americano em 1909. No ano seguinte, a Internacional Comunista, realizada em Copenhague, decidiu colocar a idéia em prática, já que manifestações pelo direito de voto e fim da discriminação feminina se multiplicavam em todos os países industrializados. A data, porém, demorou a ser comemorada de fato: a primeira vez ocorreu em 1911, e o dia 19 de março acabou sendo escolhido para sediar a celebração.
O dia 8 de março passou a ser o Dia Internacional dos Direitos da Mulher e pela Paz em 1977, por decisão da Assembléia Geral das Nações Unidas. Existem duas versões para sua escolha.Uma diz que nessa data, em 1857, 129 operárias de uma fábrica têxtil de Nova York entraram em greve. Além de salário igual ao dos homens, elas reivindicavam a redução da jornada de trabalho, que era de até 16 horas diárias. Os patrões trancaram as operárias e incendiaram a fábrica. Todas as grevistas morreram queimadas.
A outra faz referência a uma manifestação de operárias em Petrogrado (São Petersburgo) em 1917.

Fonte: Guia dos Curiosos

Fim de semana no Carriçal

Em São Nicolau há pouco coisa para fazer. Por isso quando acontece alguma coisa, por muito insignificante que seja, acaba sempre por ser algo muito importante. Assim, este fim de semana fui visitar o Carriçal um dos locais mais pobres e inacessíveis da ilha.



Juntamente com 18 amigos alugámos uma carrinha e um jeep e fizemo-nos à estrada. A viagem demorou cerca de duas horas essencialmente devido às estradas e caminhos horríveis que encontrámos. Viajei o tempo todo sentado num banco de madeira, montado na parte de trás de uma carrinha de caixa aberta, e, como se deve calcular, cheguei ao fim da viagem todo dorido.



Chegados ao nosso destino, rapidamente nos deparámos com uma paisagem muito bonita e nada habitual por estas bandas. Um mar tranquilo e uma praia com coqueiros e árvores. Lindo. Montámos acampamento no meio de uma pequena selva à beira mar, onde existiam burros, porcos, gafanhotos e muitas garças. Uma aventura. Os habitantes locais, sempre muito prestáveis e simpáticos, receberam-nos com uma enorme alegria e, além dos nos deixarem ir às suas casas tomar banho, ainda nos emprestaram algumas coisas que nos faltavam, como fogão, panelas e água. De facto, apesar de a pobreza, por aqui, ser uma realidade bem evidente, note-se que nesta localidade as pessoas vivem quase exclusivamente do mar, as pessoas preservam um espírito de solidariedade exemplar.



A noite foi passada no chão duro ao relento a uma temperatura muito agradável. A água do mar estava óptima e deu para apanhar um pouco sol. Mas o momento mais especial foi quando por ali passaram umas baleias. Estiveram por ali uns 10 minutos exibindo-se para nós. Foi pena não ter a máquina fotográfica à mão pois foi um momento único. Irrepetível.



No fim de tarde de domingo voltámos à vila. Satisfeitos, mas, também, cansados e doridos. Por causa disso ontem não consegui escrever neste blogue, pois caí na cama até à hora de almoço. Mas valeu bem a pena, pois passámos um bom tempo ali. A repetir.

segunda-feira, março 07, 2005

Voltei

Amanhã voltarei a postar. Normalmente. Regularmente. Pelo menos, assim espero.

sábado, março 05, 2005

O ódio

Fazendo parte do Orkut, percebi que muitas comunidades trazem em seu título a palavra "odeio" muito mais vezes do que a palavra "amo". Existem sociólogos e psicólogos estudando esse fenômeno. Como as pessoas podem odiar tanto e cada vez mais coisas banais como: odeio sopa fria, nata do leite, o Bob Esponja, e também vários artistas e cantores e seus respectivos trabalhos ou personagens. Enfim, tem ódio para todo gosto e feitio.
Leia a breve citação sobre: O Ódio liga mais os Indivíduos que a Amizade
"O ódio, a inveja e o desejo de vingança ligam muitas vezes mais dois indivíduos um ao outro do que o podem fazer o amor e a amizade. Pois está em causa a comunidade de interesses interiores ou exteriores e a alegria que se sente nessa comunidade - onde é muitas vezes determinada a essência das relações positivas entre os indivíduos: o amor e a amizade - é sempre relativa e não é em nenhum caso um estado de alma permanente; mas as relações negativas, essas são, a maior parte das vezes, absolutas e constantes. O ódio, a inveja e o desejo de vingança têm, poder-se-ia dizer, o sono mais ligeiro do que o amor. O menor sopro os desperta, enquanto que o amor e a amizade continuam tranquilamente a dormir, mesmo sob o trovão e os relâmpagos."
Arthur Schnitzler, in 'Relações e Solidão'

sexta-feira, março 04, 2005

Pelo ralo abaixo

Me lembro de ter ouvido na escola (em mil novecentos e antigamente) que aqui no hemisfério sul a água descia pelo ralo no sentido da direita para a esquerda (anti horário), o que posso facilmente comprovar todos os dias. E que no hemisfério norte o contrário acontecia, o que ainda não pude ver porque quando estava no hemisfério norte não me lembrei desse detalhe. Então, se algum amigo aí de cima puder me fazer o favorzinho de comprovar essa experiência, agradeço. Mas uma outra pergunta que não quer calar é: o que acontece exatamente na linha do Equador? Será que a água não desce? Será que não gira para nenhum lado? Ou será que desce um pouquinho para um lado e um pouquinho para o outro? Quem puder me ajudar envie comentário para esse post.

Ao abandono

by João Paradela (Vila da Ribeira Brava / Cabo Verde )

P.S: Sempre que revejo as minhas fotos, paro nesta. E gosto. Apesar de não perceber porquê!?

quinta-feira, março 03, 2005

Mudanças

Acabo de mudar de casa e de cidade. Eu que pensava que tinha poucas coisas (e comparado a muitas pessoas realmente tenho) percebi que na verdade tenho mais do que deveria já que deu bastante trabalho para carregarem nossos pertences. Posso dizer que tenho sangue cigano além, de negro, índio e europeu (como muitos brasileiros), já que meu avô por parte de mãe era cigano. Gosto de estar sempre mudando, daí o meu sonho de morar em um barco. Por ter sido criada em uma ilha já vi e visitei muitos barcos moradia e pessoas que têm esse estilo de vida... mas é só um sonho que se sonha só.

quarta-feira, março 02, 2005

Volto em breve

Decidi estar uns dias sem escrever. Uma pausa necessária, para poder voltar a escrever com prazer. Ás vezes é preciso sentir a falta para voltar a dar a importância devida... Entretanto, espero que os meus ilustres convidados, escrevam qualquer coisinha, de modo a, pelo menos, cumprirem os minímos olímpicos. Voltarei em breve.

terça-feira, março 01, 2005

Quero-te assim

Vem rastejar, que te faz bem,
Implora porquês que não vou responder
Geme a chorar, que te faz bem,
Sangra o teu mundo só para eu ver

Afoga-te em tudo o que não queres ter
Que é só o que te vou mostrar
Vou fazer-te só o que não queres ser,
E vais gostar...

Quero-te assim...
Só para mim

Só quando o sol te comer a pele
E o luar te roer a alma
Na lama que te arranca as asas
Quando fores ave amarrada
Vais voar no meu céu negro!
vais ser nada, vais ser nada... nada... nada... nada

Toranja

Man of the Year

O pior cego é aquele que não quer ver

Começou hoje, na Califórnia, o julgamento do cantor Michael Jackson por suposto abuso de menores. O promotor, nas suas alegações iniciais, acusou Michael Jackson de explorar sexualmente uma criança de 13 anos, que tinha cancro, com pornografia e conversas sobre masturbação, "em lugar de conversas sobre Peter Pan e leitura de livros infantis na hora de dormir". Jackson refutou todas as acusações e declarou-se inocente. Prometeu ainda trazer a tribunal várias celebridades como testemunhas de defesa, entre elas, o cantor Stevie Wonder. Ao que parece Stevie Wonder já confirmou a sua presença e já fez que questão de garantir, jurando a pés juntos, que nunca viu nada. E não é que eu até acredito nele?!

Conselho

Não seja redundante. Evite repetir a mesma coisa várias vezes seguidas uma depois da outra e usar mais palavras do que o necessário para expressar as suas idéias de uma forma simples e sintética, sem grandes rodeios.