sábado, abril 30, 2005

Qualquer dia estou assim...

A distância pode causar saudades, mas nunca o esquecimento!

O meu irmão mudou o aspecto do Restos de Palavras. Além disso, aprendeu a postar fotos. E a primeira fez-me quase chorar de saudade. Isso não se faz...

Mais do que uma piada...

A secretária dirige-se ao gabinete do chefe e diz:
- Sr. Joaquim, os nossos arquivos estão abarrotados. Será que podemos deitar fora os documentos com mais de 20 anos?
- Óptima ideia. Mas antes tire cópias de tudo.

sexta-feira, abril 29, 2005

Pretensões

Ando empenhado em aumentar o meu peso em mais 8 quilos. Um amigo, ao saber desta minha pretensão, disse-me que eu devia inscrever-me no ginásio aqui da vila, para aumentar a massa muscular. Assim, há cerca de 3 meses atrás, inscrevi-me. A verdade é que ainda não ganhei nenhum quilo. Parece que é preciso ir lá.

Sozinho

Às vezes, no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado,
juntandoo antes, o agora e o depois
por que você me deixa tão solto?
por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho!

Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho meus segredos e planos secretos
só abro pra você mais ninguém
por que você me esquece e some?
e se eu me interessar por alguém?
e se ela, de repente, me ganha?

Quando a gente gosta
é claro que a gente cuida
fala que me ama
só que é da boca pra fora
ou você me engana
ou não está madura
onde está você agora?

Caetano Veloso

Restos de um fim de semana III

( Carbeirinho / São Nicolau / Cabo Verde )

quinta-feira, abril 28, 2005

Dia da Sogra

Pois é, aqui no Brasil comemoramos hoje o "Dia da Sogra". Isso mesmo que você leu, co-me-mo-ra-mos. Está na hora de acabar com o preconceito contra essas pobres criaturas que nos dão tanta inspiração para anedotas, desculpas para quem quer faltar o emprego (dizendo que vai ao funeral da sogra que em geral morre umas 3 ou 4 vezes por ano), motivos de chantagem (se não me fizer tal coisa não vou na casa da sua mãe no fim de semana), e que ainda por cima prestam serviços de creche. Sogras do mundo, uni-vos, aproveitem bem seu dia. À minha, deixo aqui minhas sinceras homenagens porque ela merece, afinal, não são todos que têm o privilégio, digo, a infelicidade de ter uma sogra a um oceano de distância.

"Deus dá farinha, mas não amassa o pão."

Será por isso que muita gente prefere comer o "pão que o diabo amassou"?

Um pouco de História

Possivelmente, muitos já ouviram falar do Tarrafal de Cabo Verde, na ilha de Santiago. Se não foi pela sua bela praia de areia branca, foi certamente pela famosa “Colónia Penal”, construída em 1936, que serviu, no regime ditatorial português, de campo de concentração para albergar presos políticos e sociais. Porém, a escolha de Cabo Verde como destino dos presos políticos portugueses não começou com a criação do campo de concentração em Santiago. De facto, e a bem da verdade histórica, 5 anos antes, em 1931, um outro Tarrafal, o de São Nicolau - ilha onde me encontro há quase 2 anos – servira de colónia penal a, pelo menos, 200 presos políticos portugueses. Prova disso, são os vestígios, um padrão e as fundações dos edifícios, que ainda resistem aos tempos e ao descuido das entidades competentes. Ao que parece, estes exilados políticos, não estavam encarcerados. Aliás, a liberdade era tanta que os deportados rapidamente arranjaram namoro com as raparigas locais, chegando mesmo a morarem e a terem filhos com elas. Uma liberdade que veio alterar os hábitos da população local. As mulheres deixaram de usar lenços na cabeça e vestidos compridos, para usarem saias bem mais curtas e blusas decotadas. Consequência disso, é o facto de os descendentes desses revoltosos que povoam a zona, serem de pele branca, olhos claros e cabelos finos. Ora bem.

Fonte: A Semana

Hoje dei comigo a cantar isto...

(...)
Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo
(...)

Jorge Palma

Momento publicitário

quarta-feira, abril 27, 2005

Ditado popular italiano

Toda a manhã, na África, um Leão acorda. Ele sabe que deverá correr mais rápido do que a Gazela ou morrerá de fome. Quando o sol surge no horizonte, não importa se você é um Leão ou uma Gazela, o melhor mesmo é você começar a correr.

A felicidade não está no lugar onde estamos e muito menos naquilo que temos!

Não tenho carro nem bicicleta. Não tenho sala de jantar nem casa de banho privada. Não tenho telemóvel nem mensagens escritas. Não tenho electricidade todos os dias nem água potável na torneira. Não tenho uma TV grande nem um aparelhagem de som. Não tenho máquina de lavar roupa nem de lavar loiça. Não tenho banheira nem piscina. Não tenho cinema nem teatro. Não tenho cão nem gato. Não tenho roupa nova nem ténis de marca. Não tenho playstation nem jogos no computador. Não tenho dinheiro a render juros nem acções. Não tenho centros comerciais nem parques de diversões. Não tenho TV cabo nem rádio. Não tenho Mac Donald’s nem Pizza Hut. Não tenho jornais nem revistas. Não tenho ar condicionado nem ventoínha. Não tenho café nem gelados.

E no entanto, tenho tido os melhores tempos dos últimos anos...

Sobre a Recusa

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado

nem na polpa dos meus
dedos
se ter formado o afago

sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras

sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado

minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda

Maria Teresa Horta

Restos de um fim de semana II

(Carbeirinho / São Nicolau / Cabo Verde)

terça-feira, abril 26, 2005

Exemplos educativos III

Durante o dia de hoje e o dia de amanhã estarei numa formação para professores. O tema do primeiro dia foi sobre a indisciplina na sala de aula. Como já referi muitas vezes neste blogue, a indisciplina por aqui, comparada com a que me deparei em Portugal, é praticamente inexistente, resumindo-se a comportamentos perturbadores próprios e naturais das crianças. Aliás, hoje constatei que os professores foram mais indisciplinados na formação do que os próprios alunos o são nas aulas. De facto, é impressionante como facilmente caímos em comportamentos que nós próprios criticamos e censuramos aos nossos alunos. Mesmo agora, e a título de exemplo, ao folhear o caderno que levei para a formação, reparei que, em vez de sínteses e comentários do que foi apresentado, tinha o caderno cheio de desenhos de borboletas, casas, animais, bolinhas e de riscos que nem eu sei explicar. Agora imagine-se o que é uma criança, cheia de vontade de brincar, saltar, correr, gritar, ter que suportar 5 aulas por dia, cada uma mais chata e menos interessante que a outra, numa sala de aula insuportavelmente quente e sobrelotada?!? Haja paciência.

Frase solta

"Se você quer saber quem manda numa família, deve observar quem toma conta do controle remoto da TV." Anônimo

Programão de tarde

Terça-feira à tarde, frente fria com massa de ar polar (significa um inverno tropical fora do tempo), a chuva rolando solta lá fora, umas amêndoas de chocolate na boca, um bom jogo na TV (Milan x PSV), pesquisas na internet de preços de fraldas, enxoval, berço, carrinho (quanta coisa para um ser tão pequeno) e daqui à pouco um leitinho quente com pão (huuuummm, que delícia). É uma ótima forma de passar uma tarde de terça-feira (ou não).

Restos de um fim de semana



A foto acima refere-se ao local onde passei o fim de semana passado. Uma pequena praia embutida nas montanhas e de acesso muito difícil. Note-se que, apesar de São Nicolau ser uma ilha rodeada de mar, existem poucas praias e só uma com areia branca. Ainda para mais, as poucas que existem, ficam longe do local onde me encontro. Por isso, ir à praia não é assim tão usual como possivelmente imaginam. Prova disso é o facto de ter apanhado um enorme escaldão, tal qual um turista desprevenido. Contudo, como devem calcular o fim de semana foi óptimo, não só pela praia em si, mas especialmente pelo convívio que ali pude ter. Claro que cheguei a casa mais cansado do que quando parti, mas isso já seria de esperar, pois dormir no chão duro não é para todos.

segunda-feira, abril 25, 2005

25 de Abril

Hoje, tomei a liberdade de não escrever nada. Além disto, claro.

sábado, abril 23, 2005

Fim de semana

Este fim de semana estarei viajando pela ilha de São Nicolau, conhecendo mais alguns lugares inacessíveis que por aqui há. Por isso, estarei ausente deste blogue até, pelo menos, domingo. Depois contarei como foi. Tenham um bom fim de semana.

O que conta é a intenção!

sexta-feira, abril 22, 2005

Graxa

Começo a desconfiar que o meu amigo imaginário é um grande graxista. Ele faz tudo o que quero. in iluminado

Prioridades

Pois é, hoje até tinha previsto escrever alguma coisa mais pensada e interessante. Contudo, soube agora que daqui a uns minutos vai dar o último episódio da Cabocla. Desta forma, só me resta escrever algo pouco pensado e nada interessante. Como isto.

Pedra filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

(...)

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

António Gedeão

À deriva

No que é que estás a pensar?

Hoje, num filme antigo que passou na TV, uma mulher vira-se para o marido e pergunta: “No que estás a pensar amor?” Ao que o homem, muito carinhosamente, responde: “Oh querida, se eu quisesse que você soubesse, eu estaria a falar e não a pensar, não acha?”. De facto, a pergunta “no que estás a pensar?” é recorrente. Especialmente, se for feita pela nossa mulher, namorada ou seja lá o que for. Muitas vezes, como a resposta “em nada!” não satisfaz, temos que recorrer a uma resposta padronizada. Qualquer coisa como isto: “Desculpa estar pensativo, querida. A verdade é que estava apenas reflectindo em como tu és maravilhosa, carinhosa, prestativa, inteligente e bonita, e como eu sou um sortudo em te ter encontrado”. Obviamente que, na maior parte das vezes, esta resposta nada tem que ver com o que nós estamos a pensar na realidade. De facto, ou muito me engano, ou se não estiver a pensar no jogo que o Benfica não ganhou por culpa do árbitro, ou no carro novo do vizinho, ou naquela mulher bonita com quem se cruzou no elevador, ou no como a sua mulher está gorda, o mais certo é estar a pensar na desculpa que vai dar à sua mulher para ir beber um copo sozinho com os seus amigos e assim não ter que ouvir ninguém fazer tantas perguntas!

Uff!!...Que alívio

A minha mãe contou-me que quando eu nasci, teve um parto muito difícil, porque foi necessário recorrer aos "forceps" e tudo... Ao ouvir aquilo fiquei transtornado e chorei baba e ranho.
Pouco depois fiquei mais aliviado. É que a minha mãe confessou que era tudo mentira, e que na verdade eu tinha sido adoptado... in Alguidar

Vidas reais

Na escola, o intervalo grande, na sala de professores, é sempre muito animado. Especialmente quando os professores partilham as estórias que acontecem na sala de aula. Desta vez, a estória aconteceu numa aula, de inglês do 7º ano, de uma Peace Corp americana. Contava ela que pediu a um aluno para ir ao quadro completar umas frases de um diálogo. Mas que o aluno se recusou em ir. O que para ela foi uma surpresa, pois tratava-se de um aluno bastante participativo. A verdade é que ela insistia e o aluno recusava. Até que, depois de ameaçá-lo em colocar-lhe uma falta disciplinar, ele anuiu em ir. Quando, finalmente, o aluno se dirigia para o quadro, reparou que ele levava o caderno nas mãos. Como o exercício era para resolver sem caderno, a professora pediu-lhe para lhe entregar o caderno. Mais uma vez, o aluno recusou em atender ao pedido da professora. Chegando mesmo a fazer birra. O que, segundo a professora, se revelava muito estranho, pois o aluno não era de ter estes comportamentos. O facto é que, nem por nada, queria deixar o caderno, que rigidamente segurava sobre a cintura. Até que, depois de novamente ameaçá-lo em colocar-lhe uma falta disciplinar, o aluno lá, a muito custo, deu o caderno à professora. E foi aí que toda a gente compreendeu o comportamento estranho do rapaz. Pois, no preciso momento em que dá o caderno à professora, todos reparam que afinal o que rapaz tinha, não era medo de não saber fazer o exercício ou algo do género, mas sim, segundo as palavras da professora, uma enorme erecção. Que aulas excitantes, hei!

quinta-feira, abril 21, 2005

Ausência

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, abril 20, 2005

Ainda o Garfield

Habemus Papam

Quem costuma passar por aqui, sabe que tenho convicções protestantes*. Por isso mesmo, esta euforia à volta do novo papa não me entusiasma. Aliás, esta euforia toda, primeiro com a morte do papa e agora com esta eleição, tem sido, na minha opinião, um autêntico exagero, tornando-se assim numa enorme campanha publicitária, quiçá, a maior que a igreja católica teve em todos os tempos. Talvez por isso, não seja inocente o facto de o novo papa ter 78 anos. Afinal se esta história se repetir daqui a uns 6 ou 7 anos não será assim tão mau...

*já agora, de forma a fazer uma breve destrinça entre protestantismo e catolicismo, recordo o teólogo Karl Barth, protestante, que, de uma forma muito sucinta, disse, que a diferença entre o Catolicismo e o Protestantismo se resumia apenas à conjunção e. O Protestantismo diz: "Jesus Cristo"; o Catolicismo acrescenta: "e Maria". O Protestantismo afirma: "a Bíblia"; o Catolicismo junta: "e a Tradição". O Protestantismo declara: "a fé"; o Catolicismo diz: "e as obras".

Citação

Aqueles que não conseguem se lembrar dos erros do passado estão condenados a repeti-los.

George Santayann

terça-feira, abril 19, 2005

Coisas que me fazem feliz

Acordar achando que estou atrasada e ver que ainda tenho mais uma hora para dormir; sentir o cheiro da terra molhada pela chuva; nadar na praia à noite; salvar um passarinho que bateu com a cabeça na janela de vidro; ir ao cinema acompanhada de um balde gigante de pipoca; aprender a tocar uma música nova; o cheirinho e o gostinho da comida da minha mãe; ver a lua e o sol ao mesmo tempo; iniciar e concluir algum trabalho artesanal; lembrar de alguma coisa que aprendi há séculos na escola; consertar objetos quebrados; a casa limpinha; viajar sem pressa de voltar; brincar com o meu cachorro e com o dos outros também; visitar plantações; tratar de bichos de fazenda; escorregar numa montanha dentro de uma caixa de papelão; ver e dar tchauzinho para as asas-deltas; mergulhar com máscara; ônibus pontual; andar de teleférico; fazer aniversário; assistir a programas sobre animais; descobrir o significado e origem das palavras; cantar no chuveiro; fazer pic-nic...

Toda a gente

Toda a gente critica o telemóvel do vizinho
Mas no fundo toda a gente queria ter um igualzinho
Toda a gente grita: todos diferentes todos iguais!
Mas se calhar há uns quantos bacanos a mais
Toda a gente quer ser solidária
Mas na hora da verdade toda a gente desaparece da área
Toda a gente quer ser muito moderna
Mas a tacanhez essa há-de ser eterna
Toda a gente quer fazer algo de original
Acabando por copiar aquilo que acham original
Toda a gente repara que acabo duas frases da mesma maneira
(se for esse o caso toda a gente caiu na ratoeira)
Apenas quero confirmar se estou a receber a devida atenção
Da parte de toda a gente que ouve essa canção
Toda a gente precisa de parar e relaxar um bocado
E eu, como toda a gente, já ‘tou stressado

Toda a gente até compra camisa
Mas dessa treta ao fim ao cabo já ninguém precisa
Toda a gente fala da situação em Timor
Muitos para ganharem algo, e muito poucos por amor
Há quem costume falar de revolução
Mas a revolução não vai ser transmitida na televisão
Ela tem que acontecer dentro de cada um
Caso contrário nunca chegaremos a lugar algum
Há quem queira resolver os problemas do mundo inteiro
De uma só vez, confiante, tal e qual um bom escuteiro
Mas enquanto se perseguem tão nobres ideais
Esquecemo-nos de limpar os nossos quintais
Tentamos combater todos os males da terra
Quando afinal é na nossa casa que começa a guerra
Toda a gente devia parar de falar olhar para dentro e agir
Virgul – dá-lhe a seguir

Da Weasel

Garfield no seu melhor!

Desculpas...

Ultimamente, e por muito estranho que possa parecer, mais do que a falta de assunto tem me faltado tempo. Por isso, não tenho escrito aqui tanto como queria e devia. Talvez lá para quinta feira as coisas melhorem. Vá tenham paciência. Afinal também trabalho!

Sem visitantes

Hoje o contador diário deste blogue registou 100 visitas. Sinceramente, nem me apercebi que já tinha entrado tantas vezes no meu próprio blogue.

segunda-feira, abril 18, 2005

Choque tecnológico

Reprodução, via Blasfémias, de um mail que circula na Internet.

Conversa (fictícia?) entre Mariano Gago e Sócrates:

22h27. S. liga a G.:

S: «Gago? Tás bom, pá? É o Sócrates. Oh, pá, preciso da tua ajuda Comprei um computador, mas não consigo entrar na Internet! Estará fechada?»
G: «Desculpa?»
S: «Aquilo fecha a que horas?»
G: «Estás a gozar? O.k., não estás... Meteste a password?»
S: «Sim! Quer dizer, copiei a do Freitas».
G: «Deixa-me ver; qual é a password dele?»
S: «É fácil; são cinco estrelas pequeninas seguidas».
G (desesperado): «Bom, deixa lá agora isso, depois eu explico-te. E o resto, funciona?»
S: «Também não consigo imprimir, pá! O computador diz: «Cannot find printer»! Não percebo, pá, já levantei a impressora, pu-la mesmo em frente ao monitor e o gajo sempre com a mesma mensagem, que não consegue encontrá-la, pá!».
G: (no que eu me meti; esperto foi o Toneca; antes com os refugiados) «Vamos tentar isto: desliga e torna a ligar e dá novamente ordem de impressão».
(22h30.Fim da chamada)
(22h32. S.
liga novamente a G.)
S: «Mariano, já posso dar a ordem de impressão?».
G: «Olha lá, porque é que desligaste o telefone?»
S: «Eh, pá! Foste tu que disseste, estás doido ou quê?».
G: «Dá lá a ordem de impressão, a ver se desta vez resulta.».
S: «Dou a ordem por escrito? É um despacho normal?».
G: «Eh, pá! esquece....Vamos fazer assim: clica no "Start" e depois...».
S: «Mais devagar, mais devagar, pá! Não sou o Bill Gates...».
G: «Pois não. Se calhar o melhor ainda é eu passar por aí. Olha lá, e já tentaste enviar um mail?».
S: «Eu bem queria, pá!, mas tens de me ensinar a fazer aquele circulozinho em volta do a.».
G: «O circulozinho...pois.... Bom...vamos voltar a tentar aquilo da impressora. Faz assim: começas por fechar todas as janelas.».
S: «O.k., espera aí... Pronto, já fechei as janelas. Queres que corra os cortinados também?».
G: «Não, quero que te sentes, OK? Estás a ver aquela cruzinha em cima, no lado direito».
S: «Não tenho cá cruzes no Gabinete, pá!».
S: «Mariano?... Mariano?...'Tá lá?...Desligou! Vou ter de co-incinerar este tipo!».

(22h37. S. desliga. Fim de transcrição)

Indefinições

Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê;
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.

Luís de Camões

Nudez

by Helga Correia ( Dakar/Senegal)

domingo, abril 17, 2005

Auto estima

Nunca pense que é um completo inútil. Note que poderá sempre servir para mau exemplo.

Tempestades

Ontem à noite tivemos aqui mais uma tempestade de verão (embora estejamos no outono). Daquelas que chegam sem nenhum aviso e vão embora tão repentinamente quanto chegaram. Me lembro de algumas vezes ter pego dessas tempestades no mar com minha família e nosso barco parecia uma caixinha de fósforos sendo lançado de um lado para outro. Por várias vezes quase naufragamos, mas sempre ficou no quase. Quando criança achava divertido e não me preocupava, afinal, quem estava pilotando o barco era meu pai e eu nem duvidava de que tudo acabaria bem. Depois que cresci já comecei a duvidar, e assim que começavam os ventos corria para pegar o salva-vidas. Por certo pensava que apesar do meu pai ser um marinheiro experiente não custava nada prevenir. Quando ainda mais crescida, muitas vezes lembro de ter sido da opinião de que era melhor esperar a tempestade passar em algum cais ou lugar seguro antes de prosseguir viagem.
Penso que na nossa vida muitas vezes somos assim, preocupados demais com a tempestade, receosos, preferimos aguardar em algum lugar seguro a enfrentar as ondas. A Bíblia nos adverte que devemos ser como crianças, usufruindo da segurança que o nosso PAI pode dar. Se ELE está pilotando o barco, não se preocupe, no final vai dar tudo certo e você vai acabar se divertindo com o que passou.

sábado, abril 16, 2005

É preciso dizer mais alguma coisa?

A imagem acima é nada mais nada menos que um anúncio interactivo criado pela Lowe da África do Sul para a POWA - People Opposing Women Abuse, uma ONG que luta contra o abuso as mulheres. Quando o leitor tenta folhear a página, percebe que as folhas estão coladas. De facto, é possível ver apenas parcialmente que há uma imagem de pernas femininas sob um lençol. Ao puxar a folha, o adesivo vai cedendo e rasgando a página. Aí sim é possível ver e entender o anúncio. Uma mulher nua deitada de pernas abertas e abaixo o título: “If you have to force, it's rape" (Se você precisa fazer força, é violação).

Intitulada de "Force", a peça foi premiada com Leão de Prata no Festival de Cannes 2003 e Prata no CLIO Awards 2004

Casa da Música

Finalmente a Casa da Música foi inaugurada. Apesar de estar a alguns milhares de quilómetros de distância, confesso que fico sempre orgulhoso quando em Portugal se faz alguma coisa acima da média. Parece-me ser o caso, pois, segundo dizem, a Casa da Música é uma das salas com melhor acústica do mundo. Talvez seja por isso que as críticas do conceituado Rui Veloso têm sido tão ferozes. A sala realça demais a sua voz.

Restos de Palavras

O meu irmão Daniel, após umas férias em Portugal, está de volta ao Brasil e ao seu blogue. Confesso que já estava com saudades, pois, o Restos de Palavras, é para mim um espaço de referência. Não deixem de passar por lá. Já agora, deixo aqui um post que encontrei por lá e que traduz exactamente aquilo porque passo quando visito o Brasil.

"Em Angra dos Reis o calor chega a ser insuportável. Por dia são três banhos e às vezes quatro, é o melhor momento do dia diz a Renata. O meu cão passa até mal, mas fazer o quê? Apreciar uma brisa fresca vinda do mar é algo estimulante. Bebemos água sem parar e temos sempre sede. Ficamos sonolentos e suamos até no duche. A praia aqui bem perto e eu sem vontade de descer o morro. O calor tem as suas vantagens é que quando não queremos fazer nada, este calor é uma boa desculpa. " in Restos de Palavras

sexta-feira, abril 15, 2005

Sugestão contra o stress

Para quem quer aliviar o stress acumulado ao longo da semana, nada melhor do que este pequeno entretenimento.

Mutatis mutandis

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luís de Camões

Coisas Simples

Noite perdida

Por causa de um jogo de futebol de professores, no qual eu só joguei 10 minutos e mal, perdi a vitória estrondosa do Sporting e a entrevista do Primeiro Ministro. Ou seja, fiquei sem assunto para os Posts de amanhã. Já agora, e apesar de o jogo ter sido interrompido a meio por falta de luz, marcámos dois golos. O pior é que a outra equipa marcou cinco.

Exemplos educativos

Apesar de ainda estar numa fase de adaptação horária, com a alteração da hora em Portugal a diferença horária para Cabo verde passou a ser de mais duas horas, acabo de assistir a uma reportagem, no Jornal da Tarde da RTP1, sobre o dia de luta/greve dos estudantes do ensino básico e secundário. Como apanhei só uma parte da reportagem, não percebi bem o motivo de tal dia. Contudo, ainda deu para ouvir alguns alunos a explicarem os seus motivos. Um deles, ao melhor estilo de Francisco Louça, dizia que achava inadmissível que os alunos levassem uma falta ou outra qualquer penalização como paga por fazerem greve. A greve é um direito e os direitos não se pagam, argumentou. Já outro, parecia um pouco menos esclarecido. À pergunta da jornalista dos porquês deste dia de luta/greve, respondeu que era porque o “estudo é um dever” que todos os alunos devem ter. Ora aí está uma resposta original e por incrível que possa parecer, cheia de sentido. A este propósito, via blasfémias, não posso deixar de reproduzir alguns comentários feitos por alunos sobre os exames do 9º ano (um dos motivos do dia de luta):

Acho que isto não passa de uma pouca vergonha!!! prinsipalmente as regras um aluno com 4 negas e com possibilidade de passar ainda não pode fazer os exames acho que portugal persisa mudar muita coisa a começar pelos menistros.

Acho mal que se fassam esames no 9º ano, nos anos anteriores nao se fizeram e nao é por isso que os alunos nao tiram bons cursos e estao bem na vida, é uma questao de estudar.. E ainda por cima comessamos as aulas muito mais tarde, ainda quero ver se vamos conseguir dar toda a materia antes do dia 9 de junho..

Mais comentários para quê?

Frase do dia

A melhor maneira de sermos enganados é julgar que somos mais espertos do que os outros. (Rochefoucauld)

quinta-feira, abril 14, 2005

E por falar em mar...

Há 93 anos (1912) o navio Titanic, que havia começado sua viagem de inauguração no dia 10 de abril, bateu em um iceberg e afundou em 2 horas e 40 minutos. O acidente matou 1.523 pessoas.
Tudo corria bem no imenso Titanic, mas na noite do dia 14 de abril de 1912, foi avistado um grande iceberg, que o grande navio não conseguiu desviar, e acabou colidindo e abrindo vários buracos em seu casco super resistente. A água foi invadindo o navio rapidamente, pelos seus compartimentos, 5 deles ficaram inundados (o navio tinha capacidade de navegar com 4 de seus 16 compartimentos inundados).
No dia 31 de março de 1912, foi lançado o casco do Titanic ao mar, atraindo um grande público. Muitos diziam que nem Deus afundaria o Titanic, e assim ficou conhecido como o navio insubmersível, qualquer um que via o enorme Titanic não poderia negar que o mesmo nunca afundaria. É só imaginar um navio... ou melhor, um prédio de 10 andares com mais de 250 mt de comprimento, para ser mais certo 271 mt de comprimento por 28 mt de largura que poderia alcançar 22 nós, aproximadamente 45Km/h.
Em 1° de setembro de 1985, mais de 70 anos depois da tragédia do Titanic, foram encontrados os restos do barco mais luxuoso da época pelo Dr. Robert Ballard.
A história ficou ainda mais conhecida depois do filme TITANIC, mas o que pode até passar despercebido para muitos é o fato de dizerem que "nem Deus afundaria o Titanic". Não estou a falar que Deus se ofendeu e por castigo fez o acidente (até porque havia muitos fiéis naquela viagem), mas com certeza os construtores do navio com sua ganância, orgulho, interesses comerciais, sede de status e poder, passaram por cima de um ítem básico, os botes salva-vidas.

Nem tudo é Praia! Aliás, a maior parte é assim!

By Carla Merendeiro (Cabo Verde/Santiago/Tarrafal)

Metamorfoses

Reduziu o estômago e as coxas, correu milhares de quilómetros na esteira, usou toxinas do botulismo para corrigir rugas e cirurgia plástica no pescoço e peito. Morreu atropelada por um ônibus desgovernado na saída da clínica. Ficou irreconhecível.

in e-pístolas

quarta-feira, abril 13, 2005

Reflexão Pedagógica

Na minha infância e adolescência, quando ia à escola, a aula era, geralmente, presidida por uma figura rígida (houve uma ou duas excepções). Embora, os nomes mudassem de ano para ano, a mim pareciam-me seres repetentes. De forma que (parece que estou a ver) era olhar para a sala e verificar as meninas todas iguais. À primeira vista. Num segundo olhar, viam-se umas meninas mais felizes à frente e outras menos alegres ou mais infelizes lá atrás, sentadas na penumbra da sala. Era assim, os “inteligentes” á frente e os “burros” atrás. A ideia era meter na cabeça de todos os alunos uma data de matérias desinteressantes, num ritual, muitas vezes, agressivo que se repetia diariamente.

A este propósito coloco aqui as recordações de António Lobo Antunes:

As aulas deste pedagogo iniciavam-se de acordo com um ritual imutável: o senhor André chegava, nós levantávamo-nos, o senhor André sentava-se, nós sentávamo-nos, o Senhor André tirava pêlos do nariz, nós não (o senhor André era a criatura com mais pêlos no nariz que imaginar se pode, e eu supunha que em lugar de miolos possuía no interior do crânio um piaçaba que não parava de crescer) e após a sua colheita de cerdas que ele lançava com desprezo para o chão esfregando o indicador no polegar, ordenava ao Nicolau (o Nicolau era ruivo: existe sempre um ruivo em cada turma) procurando trocos na algibeira Ó Nicolau vai-me comprar um maço de Três Vintes. O Nicolau partia a trote livre de recitar as ilhas dos Açores, um frémito de ciúmes do Nicolau percorria a turma que amansava os ditos ciúmes dando caneladas no Nicolau durante a hora do almoço, e enquanto esperava que o dito Nicolau lhe trouxesse o cancro o Senhor André chamava o Vasconcelos ao quadro e aplicava-lhe uma bofetada mesmo antes de começar a lição, porque conforme nos explicava com a sua subtil frontalidade era a melhor forma de poupar tempo dado que o Vasconcelos não estudava. Na realidade nunca se soube se o Vasconcelos estudava ou não estudava porque o Vasconcelos nem conseguia abrir a boca...)"

Este relato é, talvez, um pouco cru mas tem um fundo de familiaridade. Com o 25 de abril, felizmente, algumas mudanças ocorreram. Hoje, viajo no tempo e recordo com alguma simpatia, até, aqueles tempos em que as aulas foram substituídas de um dia para o outro, por sessões de esclarecimento sobre a democracia, a ditadura, o socialismo, etc, etc... Começou-se a pensar em termos democráticos. Todos tinham acesso à educação (pelo menos em teoria). Meninos e meninas podiam conviver na mesma sala. Como é que os alunos aprendem melhor? Os professores preocupavam-se. Estudam-se teorias desconhecidas até então. Imaginava-se que todos os alunos iriam aprender com as novas abordagens. As pedagogias activas foram uma novidade, de facto.

Ainda assim, às vezes tenho dúvidas. Mesmo com as novas teorias nem todos aprendem. Mesmo com imaginação, nem sempre a aprendizagem resulta. E ainda há aquela situação de que nem todos os alunos apreciam os mesmos métodos. A ideia de que todas as pessoas têm pontos fracos e pontos fortes agrada-me. Informaram-me que há estilos de aprendizagem diferentes porque há vários tipos de inteligências, também. Se assim é, que grande trabalho tem o professor pela frente!

O desafio é muito mais difícil, hoje. Não é só mudar o método de ensino. É preciso adequar o método a cada aluno. É preciso diferenciar. É preciso potencializar as áreas mais fortes dos nossos alunos. Em resumo, é absolutamente crucial que os professores entendam que uma parte do futuro dos nossos alunos pode ficar para trás, para sempre, se o presente não lhes for favorável.

Fernanda Maria Marques Silva

Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma nao é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa

Tarrafal

By Carla Merendeiro (Cabo Verde/Santiago/Tarrafal)

A minha citação favorita

Não há uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão. (Robert Wong)

P.S.: Não posso deixar de referir que esta citação ouvi-a pela primeira vez na boca de António Guterres. Um homem que, apesar de tudo, eu aprecio e considero bastante. Não só pela sua qualidade política, inteligência e retórica mas também pela sua bondade como homem. A história, um dia, ainda lhe fará justiça.

terça-feira, abril 12, 2005

Há dias assim

Hoje tive saudades dos meus pais. Tive saudades dos seus conselhos. Tive saudades de morder as orelhas da minha mãe. Tive saudades de fazer cócegas no meu pai. Tive saudades de ouvir a minha mãe a dizer-me que tenho de ser humilde. Tive saudades de andar à procura das bananas escondidas entre panelas. Tive saudades de ver, ás escondidas, os filmes com bolinha. Tive saudades de ouvir a minha mãe dizer-me para cortar o cabelo. Tive saudades de jogar à bisca dos nove com o meu pai. Tive saudades de saltar pela janela para ir brincar com os meus amigos de noite. Tive saudades de ouvir o meu pai a falar na igreja. Tive saudades da minha mãe me dar quinhentos paus por eu lavar a loiça. Tive saudades das histórias que o meu pai conta de quando ele era novo. Tive saudades das perguntas da minha mãe acerca das namoradas. Tive saudades de me acordarem quando eu mais sono tinha. Tive saudades dos avisos da minha mãe por causa das más companhias. Tive saudades do meu pai colocar comida no meu prato mesmo contra a minha vontade. Tive saudades da minha mãe se zangar por eu chegar tarde. Tive saudades do meu pai a desligar-me o esquentador por eu demorar muito no banho. Tive saudades dos seus sorrisos. Tive saudades de quando não tinha saudades. Enfim... tenho saudades deles.

Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner

Uma imagem vale mais do que mil palavras!

by Carla Merendeiro

Citação

Para quem sabe esperar, tudo vem a tempo.

Clément Marot

segunda-feira, abril 11, 2005

Dúvidas existenciais III

Até à páscoa passada vivia com uma dúvida existencial, que julgo ser a de muitos. Porque raio é que os símbolos da páscoa são o coelhinho e os ovos coloridos? Será que, noutros tempos, os coelhinhos punham ovos? Bem, apesar de esta explicação vir fora de época, com a ajuda do google, vamos lá esclarecer isto de uma vez por todas.

Comecemos pelo ovo. Nas religiões orientais, na mitologia grega, nas tradições populares, o ovo sempre teve significado de principio de vida. O ovo aparentemente morto contém uma vida que surge repentinamente, acreditando-se por isto, que ele seja o símbolo da páscoa da ressurreição. Outro facto é que depois da quaresma e da semana santa, comer ovos era um método conveniente e nutritivo para a preparação da páscoa. Embora haja divergência sobre a origem dos ovos da páscoa sabe-se que, para alguns, os ovos enfeitados era uma tradição na Idade Média. Séculos antes, porém, os chineses já costumavam colorir ovos que eram distribuídos aos amigos na Festa da Primavera, como lembrança da continua renovação da vida. Mais tarde, no século XVIII, e para completar a história, a Igreja Católica adoptou oficialmente o ovo como símbolo da ressurreição de Cristo.

Quanto ao coelhinho a explicação é um pouco mais rebuscada. A tradição do coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1700. Conta-se que uma mulher pobre coloriu alguns ovos e os escondeu em um ninho para dá-los a seus filhos como presente de Páscoa. Quando as crianças descobriram o ninho, um grande coelho passou correndo. Espalhou-se então a história de que o coelho é que trouxe os ovos. Existem ainda outras explicações, especialmente a religiosa, que tem que ver com o facto de os coelhos se reproduzirem com extrema facilidade e em grande quantidade, vindo daí a identificação com uma vida abundante, um processo de restauração, um ciclo que se renova todos os anos.

Vem por aqui

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "Vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se levantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

José Régio

Outros cemitérios...

by Helga Correia (Senegal)

domingo, abril 10, 2005

Mau perder...

O campeonato este ano está mesmo doido. Vejam só, que a seis jornadas do final, o Sporting só tem 3 pontos de atraso para o primeiro.

Agradecimento

Faz hoje 6 meses que iniciei este blogue. Assim, e como duvido que isto chegue a completar um ano de vida, deixem-me fazer a festa hoje. Do primeiro dia até hoje, o Coisas Breves, teve cinco mil e quinhentas e tal visitas, a uma média de cerca de 40 por dia. Obviamente que sem a vossa visita isto já teria acabado há muito tempo. Por isso, quero agradecer a todos os que continuam a passar por aqui e em especial àqueles que vão comentando. Acreditem que sabe sempre bem. Sei, no entanto, que nem sempre tenho estado à altura, mas, como devem calcular, manter um blogue durante tanto tempo não é tarefa fácil. Ainda para mais quando um gajo, como eu, não tem muito jeito, inspiração ou assunto. É certo que este blogue já passou por momentos difíceis. E o fim esteve perto. Aliás, o fim continua sempre perto. Porém, pela minha parte, vou tentar levar isto o mais longe possível. Pelo menos até que continuem a passar por cá.

Já agora, quero também agradecer à Liliana e ao Seis e Meia a participação que tiveram neste espaço e que hoje finda. Foi um prazer tê-los por cá, pois sempre foram um valor acrescentado a este blogue. De qualquer forma, não vai ser por não escreverem no Coisas Breves que não vamos ter oportunidade de os ler, pois eles estão aqui e aqui, respectivamente.

Assim, e por agora, o Coisas Breves vai só ficar entre mim, aqui em Cabo Verde, e a minha cunhada Renata, lá no Brasil, que mesmo grávida, vai continuar a surpreender-nos com as coisas que pensa e escreve.

E há 6 meses atrás começava assim...

Olá caros amigos. Obrigado por visitarem este blog. Se esperam encontrar aqui algo de interessante estão completamente enganados. Aqui, quanto muito, encontrarão lugares comuns, textos roubados e, uma vez por outra, coisas breves. Espero que gostem. Ou não.

Fiquem bem!

Não se perdeu

Não se perdeu nenhuma coisa em mim.
Continuam as noites e os poentes
Que escorreram na casa e no jardim,
Continuam as vozes diferentes
Que intactas no meu ser estão suspensas.
Trago o terror e trago a claridade,
E através de todas as presenças
Caminho para a única unidade.

Sophia de Mello Breyner

Qualquer dia a barraca vem abaixo!

sábado, abril 09, 2005

Pimenta no olho do vizinho é refresco

Este governo anda muito discreto. Porém, tem dado alguns sinais quanto às políticas que aí vêm. Primeiro, com a história da venda de medicamentos fora das farmácias. Depois com a redução das férias judiciais para apenas um mês. E por último, a proposta de os professores começarem a ter que preencher os “furos” nas aulas dos alunos. Ora ninguém pode negar que estes sinais têm sido corajosos, pois vão contra interesses corporativos instalados na nossa sociedade. Talvez sejam o impulso necessário às reformas que o país tanto espera e necessita. Por isso, não se compreende as reacções dos farmacêuticos e dos juizes. Até parece que, só porque mexeram com os seus interesses, que já não querem as benditas reformas. As únicas reacções que me parecem justas, curiosamente na parte que toca com os meus interesses, são a dos sindicatos dos professores. De facto, essa história de os professores terem que preencher os “furos” dos seus colegas parece-me um pouco despropositado. Era o que faltava um gajo ter que andar a substituir um colega só para os meninos não ficarem sem nada para fazer. Pior, era o que faltava alguém ter que me substituir quando eu faltasse. Não me digam que agora um gajo já não pode ficar com dores de cabeça ou com indisposições físicas? Pensam que somos o quê? Por este andar, qualquer dia, ainda nos tiram os três meses de férias no verão ou reduzem aquelas, bem merecidas, semanas de descanso no Natal e na Páscoa. Já não bastou nos tirarem aqueles dois dias na semana do Carnaval? O que eu vos digo é que assim, mais vale continuar tudo na mesma. Que se lixem as reformas. Pelo menos aquelas que mexam comigo. Claro

Citação

Se não existisse Deus, não existiriam ateus.

G. K. Chesterton

Conversas Reais

Depois de mais de 30 anos de amor secreto, o príncipe Carlos e Camilla, ambos divorciados, contraíram hoje matrimónio numa discreta cerimónia civil. A propósito deste recente casal acabo de ler a transcrição de uma conversa telefónica de 1993, agora tornada pública. Não resisto a publicar um excerto. Aqui vai.

Carlos: O problema é que eu preciso de si várias vezes por semana. A toda a hora.
Camilla: Mmm. Eu também. Eu preciso de si toda a semana, a toda a hora.
Carlos: Oh, meu Deus. Se eu pudesse viver dentro das suas calças ou algo assim. Seria tudo muito mais fácil!
Camilla: (risos) Em que vai transformar-se? Num par de cuecas? (ambos riem) Oh, vai transformar-se num par de cuecas!
Carlos: Oh, meu Deus. Talvez num Tampax. Que sorte a minha! (risos)
Camilla: Que completo idiota! (risos) Que ideia maravilhosa. Oh, querido. Oh, queria tanto tê-lo agora.

Ainda pensei fazer uns comentários, mas acho que não vale a pena. Afinal eles agora já são casados. E pelo que me parece, estão muito bem um para o outro. Pelo menos, assim, só estragam uma casa.

Rebuçados, fruta e leite com mais ou menos café!

Nos últimos dias têm sido reveladas algumas curiosidades do escândalo do futebol português, Apito Dourado. Uma das situações, em que se detectaram indicativos de corrupção, reporta-se a uma escuta telefónica, feita um dia antes do jogo Nacional-Benfica, entre o presidente do FCP e um dirigente do Nacional. Ao que parece o tema da conversa passava pela confirmação da entrega de um “rebuçadinho”, vulgo prostituta, ao árbitro do encontro, no qual, refira-se, o Benfica perdeu por 3-2. Noutras escutas realizadas o tema das conversas mantém-se e a linguagem em código também. Desde o pedido de “fruta para a noite” ou de “café com leite, com muito leite ou mais café”, tudo vai no mesmo sentido: aliciamento dos árbitros através de favores sexuais. Situação, aliás, já confirmada pelas próprias prostitutas. Desta forma, não é de estranhar a hegemonia do FCP nos últimos anos nem a insucesso desportivo desta época. Parece assim provado que mais do que o treinador, mais do que os jogadores, mais do que os árbitros e mais do que o próprio presidente Pinto da Costa, o que tem feito a diferença no FCP são as prostitutas.

Se tanto me dói que as coisas passem

Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na luta por um bem definitivo
Em que as coisas de amor se eternizassem.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Há sempre alguém mais frágil do que nós!

sexta-feira, abril 08, 2005

Frase do dia

A fé remove montanhas... é pena é os ecologistas estarem sempre contra!

Convém que Ele cresça e que eu diminua

Aproveitando a tolerância de ponto, concedida pelo governo Cabo-verdiano a propósito da morte de João Paulo II, decidi dar uma vista de olhos nas cerimónias fúnebres que preenchem as televisões há imensos dias. E, ao observar toda aquela ostentação, riqueza e idolatria, não pude deixar de pensar na morte singular de Jesus Cristo na cruz, e lembrar que “não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” (Actos 4.12).

Coisas Breves

Pediram-me para definir este blogue. Ainda tentei articular umas frases bonitas mas em vão. Não o consigo definir. Isso é coisa para dicionários.

Coisa(s): Tudo o que existe ou pode existir real ou abstractamente; qualquer objecto inanimado; facto; negócio; circunstância; condição; assunto; mistério (...)

Breve(s): que dura pouco; curto, pequeno, pouco extenso; lacónico, resumido, ligeiro;

Tu es Petrus et super hank Petram aedificabo Eclessiam meam!

Vai hoje a enterrar Karol Wojtyla. O Bispo de Roma. O Primaz da Itália. O Patriarca do Ocidente. O Vigário de Jesus Cristo.O Servo dos Servos de Deus. O Sumo-Pontífice da Igreja Universal. O Sucessor do Príncipe dos Apóstolos. O Soberano do Estado da Cidade do Vaticano. O Arcebispo e Metropolita da Província Romana. O Santo Padre. Ou seja, o Papa João Paulo II.

Sobre a figura do chefe da Igreja Católica não tenho muito que referir. Até porque as minhas convicções Cristãs são em tudo contrárias ao que o Papa é e representa. De facto, se por um lado, Karol Wojtyla, me merece respeito, pelos seus esforços pela paz no mundo e pela sua preocupação com os mais desfavorecidos, por outro, e por muito chocante que a afirmação possa ser, levanta em mim sérias dúvidas quanto ao facto de ser verdadeiramente um “servo de Deus, quanto mais o substituto de Jesus Cristo na terra. A verdade é que até me arrepio com tamanha heresia.

Vem, Chuva, Vem

Vem, Chuva, Vem
Molhar os meus sentidos
Ressentidos da poluição

Vem, Chuva, Vem
Leva-me do peito a saudade
E a solidão

Vem, Chuva, Vem
Encher a maré
Dar movimento a este barco sem rumo

Jorge Palma

Sem comentários

quinta-feira, abril 07, 2005

Pergunta do dia

É impressão minha ou não é verdade que isto tinha mais graça quando o Santana Lopes era primeiro ministro?

Expressões do nosso quotidiano

Em português, existem um conjunto de expressões que utilizamos sem saber bem porquê. Apesar de conhecermos o significado da maior parte delas, nem sempre sabemos a sua origem. O Coisas Breves preocupado que está com a cultura geral dos seus leitores decidiu pesquisar (a verdade é que recebi um e-mail com isto) e esclarecer algumas delas.

LÁGRIMAS DE CROCODILO: É uma expressão usada para se referir ao choro fingido. O crocodilo, quando ingere um alimento, faz forte pressão contra o céu da boca, comprimindo as glândulas lacrimais. Assim, ele chora enquanto devora a vítima.

O CANTO DO CISNE: Dizia-se que o cisne emitia um belíssimo canto pouco antes de morrer. Assim a expressão “canto do cisne” representa as últimas realizações de alguém.

NÃO ENTENDO PATAVINAS: Os portugueses encontravam uma enorme dificuldade de entender o que falavam os frades italianos patavinos, originários de Pádua, ou Padova, sendo assim, não “entender patavina” significa não entender nada.

CASA DA MÃE JOANA: Na época do Brasil Império, mais especificamente durante a menoridade do Dom Pedro II, os homens que realmente mandavam no país costumavam se encontrar num prostíbulo do Rio de Janeiro, cuja proprietária se chamava Joana. Como esses homens mandavam e desmandavam no país a frase "casa da mãe Joana" ficou conhecida como sinónimo de lugar em que ninguém manda.

CALCANHAR DE AQUILES: De acordo com a mitologia grega, Tétis, mãe de Aquiles, a fim de tornar o seu filho indestrutível, mergulhou-o num lago mágico, segurando-o pelo calcanhar. Na Guerra de Tróia, Aquiles foi atingido na única parte de seu corpo que não tinha protecção: o calcanhar. Portanto, o ponto fraco de uma pessoa é conhecido como "calcanhar de Aquiles".

CONTO DO VIGÁRIO: Duas igrejas de Ouro Preto receberam uma imagem de santa como presente. Para decidir qual das duas ficaria com a escultura, os vigários contariam com a ajuda de Deus, ou melhor, de um burro. O negócio foi o seguinte: colocaram o burro entre as duas paróquias e o animalzinho teria que caminhar até uma delas. A escolhida pelo quadrúpede ficaria com a santa. E foi isso que aconteceu, só que, mais tarde, descobriram que um dos vigários havia treinado o burro. Desse modo, "conto do vigário" passou a ser sinónimo de falcatrua e malandragem.

P.S. Para pena minha, ainda não foi desta que esclareci a origem da expressão “és boa como o milho”. Aceitam-se sugestões.

Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

Alberto Caeiro

Estou a ver que vou mesmo ficar para tio...

quarta-feira, abril 06, 2005

A quem interessar possa...

Em meio a tantas notícias tristes nos últimos tempos, tenho aqui uma boa só para desanuviar. A todos os familiares, amigos e curiosos visitantes do Coisas Breves, acabo de receber a notícia de que em agosto (querendo Deus) virá ao mundo uma luso-brasileirinha muito especial, minha filhota :)

Pergunta do dia

Será que tenho de me refugiar num convento para deixar de ouvir tanta notícia acerca da morte do Papa?

Bute?

A vida de qualquer rapaz deve ser, entre outras coisas, correr atrás de raparigas. Hoje em dia, porém, os rapazes não correm atrás das raparigas- andam com elas. Os rapazes de hoje já não perguntam às raparigas se os anjos desceram à terra, ou que bem fizeram a Deus para lhes dar uns olhos tão bonitos. Dizem, laconicamente, com o ar indiferente que marca o “cool” da contemporaneidade “Vamos curtir?”. Ou simplesmente “Bora aí?”. Nos últimos tempos, esta economia de expressão atingiu o cúmulo de se cingir a um breve e boçal “Bute?”. “Bute?” significa qualquer coisa como “Acho-te muito bonita e desejável e adoraria poder levar-te imediatamente para um local distante e deserto onde eu pudesse totalmente desfazer-te em sorvete e framboesas”. Mas, como os rapazes só dizem “Bute?”, são as raparigas que têm de fazer todo o esforço de interpretação e de enriquecimento semântico. São assim obrigadas a perguntar às amigas “ Ó Teresinha, o que é que achas que ele queria dizer com aquele bute?”. E chegam à desgraçada condição de analisar as intenções do rapaz mediante uma série de considerações pouco líricas – foi um “Bute?” terno ou ríspido, sincero ou mentiroso, terá sido apaixonado ou desapaixonado?

Adaptado de um texto de Miguel Esteves Cardoso, in causa das coisas

Para ser grande

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Ricardo Reis

Retrato de uma família

Cabo Verde - Ilha de São Nicolau

terça-feira, abril 05, 2005

Frase do dia

Existem duas palavras que abrem muitas portas: puxe e empure.

Reflexos da morte do Papa

Ao regressar de férias do Brasil tive ainda de passar 3 dias na ilha do Sal à espera de voo para São Nicolau. Desta forma, além de ter feito um pouco mais de praia, aproveitei a oportunidade para estar com alguns amigos que por ali tenho. Assim, no sábado à noite combinámos sair para bebermos um copo e trocarmos umas ideias. A noite de sábado no Sal é muito animada, ainda para mais cheia de turistas, e por isso a coisa prometia. Apesar da morte do Papa ser o tema do dia nunca pensámos que ele fosse o tema dominante. A verdade é que acabou por ser, pois, para descontentamento e espanto de muitas pessoas, a polícia fechou todos os bares e discotecas da vila. Ordens superiores, diziam (parece que fizeram o mesmo em Cuba). Confesso que ainda fiquei um pouco preocupado, pois pensei que na volta ainda me iriam obrigar a chorar... Mas afinal não chegaram a tanto. O objectivo era apenas fazer cumprir, mesmo que um pouco à força, o dia de luto sem música nem divertimento. Só não compreendo é porque também não fecharam as escolas?!? Assim sim, teriam sido uns dias de luto a sério!

Soluções pedagógicas

É dos livros que um bom professor tem de ser cativante e interessante para aos alunos. Por isso, sugere-se que haja uma constante adaptação dos conteúdos programáticos ao meio sócio-económico envolvente e aos interesses dos alunos. A motivação dos alunos é essencial para o sucesso. Por isso há que despertar-lhes o interesse pela matemática. Mas sem muito esforço. Para não maçar muito. Desta forma, e como nestas coisas não sou de ficar para trás, já comecei a reunir um conjunto de questões de exame que julgo pertinentes e adequadas para a realidade que me espera quando voltar a leccionar em Portugal. Aqui ficam alguns exemplos:

1. O Joãozinho tem uma metralhadora AK-47 com carregador de 80 balas. Por cada rajada o Joãozinho gasta 13 balas. Quantas rajadas poderá disparar até descarregar a arma?

2. Rui é chulo e tem 3 prostitutas a trabalhar para ele. Cada uma delas cobra 35 € ao cliente, dos quais 20 € entrega ao Rui. Quantos clientes terá que atender cada prostituta para poder comprar ao Rui a sua dose diária de cocaína no valor de 150 €?

3. Uma lata de spray dá para pintar uma superfície com 3 m2. Uma letra grande ocupa uma área de 0,4 m2. Quantas letras grandes poderão ser pintadas com 3 latas de spray?

4. Salvador é preso por vender crack e a sua caução é estabelecida em 12.500 €. Se ele pagar a caução ao seu advogado (que reclama 12% da caução como honorários) antes de fugir para o Brasil, qual será o total da despesa?

De regresso à vidinha...

Não há nada melhor do que umas férias. Porém, quando estas são curtas e bem passadas, o regresso à vida normal torna-se muito difícil. A verdade é que não tenho vontade nenhuma de ir trabalhar. Apetecia-me antes estar uma semana em casa sem fazer nada. Até ficar farto.

Por outro lado, e por muito boas que tenham sido as férias, é sempre bom voltar a casa e às nossas coisas. De facto, confesso que já sentia saudades desta terra sossegada, desta gente acolhedora e desta vida tranquila. E claro, dos jogos de futebol, das festas, dos alunos, da Cabocla, da almofada, do blogue... Até já.

Ausência

Deixa secar no meu rosto
Esse pranto de amor que a presença desatou
Deixa passar o desgosto
Esse gosto da ausência que me restou
Eu tinha feito da saudade
A minha amiga mais constante
E ela a cada instante
Me pedia pra esperar

E foi tudo o que eu fiz, te esperei tanto
Tão sozinha no meu canto
Tendo apenas o meu canto pra cantar
Por isso deixa que o meu pensamento
Ainda lembre um momento a saudade que eu viv
iA tua imagem fiel
Que hoje volta ao meu lado
E que eu sinto que perdi

Vinicius de Morais

A minha Fortaleza

segunda-feira, abril 04, 2005

Último dia de férias

As férias acaba(ra)m hoje. Ainda na ilha do Sal , aguardo voo para São Nicolau. Ao fim da tarde, se Deus quiser, estarei de regresso a casa. A vida voltará à normalidade. E este blogue também.

domingo, abril 03, 2005

o meu blog

Eu tinha um photoblog, mas agora é preciso pagar. Por isso, depois de tanto tempo de resistencia, resolvi fazer um blog. Podem encontrá-lo em:

http://blanchedeniege.blogspot.com

sexta-feira, abril 01, 2005

Conselho

"Case com alguém com quem você goste de conversar.
À medida que vocês forem envelhecendo, seu talento para a conversa se tornará tão importante quanto os outros todos."

Pessoas que chegam. Pessoas que partem.

O dia estava cinzento. Chovia durante uns minutos e parava. Algum tempo depois voltava a chover. E o dia ia passando, entre as bátegas de chuva e o vento fresco, quase calmo. Da janela da cozinha só se entrevia um cantinho de céu azul, as nuvens cobriam-no numa ameaça. Eu estava num banco mesmo em frente à janela e olhava o quintal, as plantas da minha mãe, as nuvens carregadas no céu. Havia uma moleza que galgava o ar, que percorria a casa e se instalava nos corpos. Roubava a energia, a vontade dos movimentos. Na minha respiração indolente sentia as pálpebras a fecharem devagarinho. Tinha coisas para fazer mas a minha apatia não me deixava levantar.

Com a avançar do dia o vento aumentou. Conseguia ver a dança delirante dos ramos das árvores. Ouvia-o soprar. Numa rajada mais forte ele chegou. Tocou à campainha. Estranhei, não sabia quem poderia ser. Estranhei sobretudo porque tinha estado ali o dia todo com a sensação que não havia mundo fora daquela cozinha, daquele quintal acanhado. Levantei-me e comigo levantaram-se toneladas de qualquer coisa cansativa e indiscritível. Caminhei, percorri o corredor com a sensação de que os meus pés, pesados, deixavam marcas no chão de tijoleira.
Abri a porta e ele entrou. Eu não disse nada. Ele não disse nada. Voltei para a cozinha e ele veio atrás de mim. Sentei-me no mesmo banco a observá-lo ali, de pé. Era alto, magro. A roupa escura não ficava mal com a pele excessivamente branca. Na cara notavam-se as bochechas e o nariz ligeiramente corados. Os olhos grandes tinham pontos luminosos. E o cabelo era o cabelo de um anjo pouco loiro. Um anjo de canudos quase morenos. Através da camisola de uma malha negra muito fina conseguiam adivinhar-se os ossos por baixo do pescoço, os ombros demasiado largos para a magreza do corpo. Parecia tranquilo mas balançava o corpo, apoiando-se ora num pé, ora noutro. Como um sino leve, muito silencioso. De pé, como se esperasse.

Sem moleza, sem cansaço, levantei-me e fui ao quarto buscar uma folha branca de papel e uma caneta. Pus a folha em cima da mesa da cozinha e fiquei um bocado a olhar. Era para deixar um recado à minha mãe, mas não sabia o que devia escrever. Prendi a folha assim, em branco, na porta do frigorífico. Dei-lhe a mão e saímos os dois pela porta da rua. Numa rajada de vento.