quinta-feira, junho 30, 2005

Boas notícias do interior

Ontem fui fazer uma ecografia para verificar como está se portando a mocinha que já há algum tempo carrego na barriga. Pois bem, conseguimos ver seu rostinho que o Daniel garante que se parece comigo mas que para mim se parece com um bebê como todos os outros. Estamos na 34ª semana (em geral no total são 40 semanas) e a menina "já" pesa 2396 gramas. O meu peso não vem ao caso. Aos amigos e familiares agradecemos a torcida e as orações.

segunda-feira, junho 27, 2005

Deus dá nozes a quem não tem dentes

Na sexta-feira à tarde parti um dos dentes da frente. À custa disso, passei o fim-de-semana praticamente fechado em casa, com vergonha que alguém me visse naquela triste figura. Pois, é que só hoje, pela tarde, é que consegui restaurar aquele maldito dente. Mas, a verdade é que podia ter sido bem pior, pois, até há bem pouco tempo atrás, o dentista só vinha a São Nicolau uma vez de dois em dois meses. O que vale é que agora temos uma dentista local, acabadinha de concluir o curso no Brasil. E que dentista… Arrisco mesmo a dizer que é do melhor que tenho visto por aí. E ainda por cima até percebe alguma coisa de dentes e coisas assim! Aliás, se eu soubesse que era assim, já tinha partido um dos dentes há muito tempo. Garanto-vos.

Hugo Cunha

Durante o fim-de-semana morreu mais um jogador de futebol de morte súbita. Desta vez foi o Hugo Cunha, futebolista do União de Leiria., do qual eu era especial fã. Confesso que a frequência com que, ultimamente, tem acontecido este tipo de mortes em desportistas me preocupa, ao ponto de me deixar um pouco apreensivo quanto aos efeitos benéficos do desporto, pelo menos, profissional. Contudo, o que me leva a falar desta morte em particular, tem que ver com o facto de conhecer o Hugo Cunha desde os 13 anos e de, por isso, sentir esta morte mais de perto. Recordo-me de, uma vez, assistir a um jogo de iniciados do barreirense, onde ele era capitão e número 10, e este rapaz agarrar na bola a meio campo fintar todos os jogadores da outra equipa e, quando os sócios já protestavam e lhe diziam para ele passar a bola, marcar um golo de outro mundo. Aliás, eu vivia impressionado com a sua técnica espantosa, ao ponto de, ainda hoje, eu preservar, no meu vasto reportório de pequenos preciosismos técnicos, uma finta, por sinal bastante eficaz, que aprendi com ele num dos treinos de iniciados há, pelo menos, 15 anos atrás.

Abrindo o jogo

Sei que não sou uma pessoa famosa e nem tenho muito jeito para a escrita. Sou um pessoa comum do tipo "gente como a gente". Não levo uma vida cheia de aventuras e nem tenho uma profissão interessante. Não pratico esportes radicais e nem faço viagens a lugares exóticos. Ainda assim, no meu mundinho, encontro muitas coisas para dizer sobre a minha pessoa, coisas do tipo a seguir.

Coisas que me fazem rir:
Cócegas, música brega (bimba), conversa de criança, vídeos divertidos do Animal Planet, a ginástica respiratória do meu sogro.
Coisas que eu amo fazer:
Dormir, viajar, aniversário, tomar banho.
Coisas que me assustam:
Meu reflexo de manhã, filmes de terror, os preços no supermercado, andar de ônibus no Rio de Janeiro.
Coisas que não entendo:
Beisebol, os homens, a história do Senhor dos Anéis.
Coisas sobre minha mesa:
Cola, CDs do Jorge Palma (doados pelo meu cunhado), agendas, papéis, canetas, um lixinho básico do lanche, telefone.
Coisas que não sei fazer (ainda):
Dirigir, trocar fraldas, tocar violino, digitar sem olhar, desenhar.
Coisas que não esqueço:
A morte de uma colega de 14 anos que se jogou da janela do 5º andar, a passagem do cometa Halley, minha irmã me salvando de um afogamento.
Coisas que gosto de ler (além dos livros):
Coisas Breves, jornal, enciclopédias, dicionários, rótulos no supermercado, bula de remédio, anúncios nos outdoors.
Penso que todos têm coisas a dizer sobre si por mais inerte e sedentário que seja. Lembram-se do filme O Náufrago?

domingo, junho 26, 2005

Sim, Sei Bem

Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.

Fernando Pessoa

sábado, junho 25, 2005

Sem comentários

sexta-feira, junho 24, 2005

O que move o homem?

Numa tarde destas juntei-me com uns colegas para uma grelhada. Às páginas das tantas, a conversa descambou para a filosofia e para a questão do que move o homem e o mundo. E, independentemente do que se discutiu, foi interessante notar que cada um tem uma perspectiva própria desta questão. E haviam opiniões para todos os gostos. Alguns, mais freudianos, defendiam que eram as mulheres e, em última análise, o sexo. Outros, mais hedonistas, diziam que era apenas a busca do prazer, nas suas diferentes formas, como vislumbre da felicidade. Havia também alguns, mais liberais, que argumentavam que era o dinheiro ou, de uma forma mais geral, o poder. E outros, mais religiosos, que defendiam que era a vaidade. Mas, apesar da diversidade de ideias, a verdade é que não se chegou a conclusão nenhuma. Nem é isso que me interessa. Pois, tenho para mim, que a questão é demasiado qualquer coisa para concluir o que quer que seja. O mais certo é nem haver uma lei geral. Porém, o que é certo, é que as pessoas, ao contrário dos animais, têm motivações que vão para além das necessidades básicas de sobrevivência. E, nesse sentido, torna-se muito interessante ouvir as opiniões dos amigos quanto a este assunto. Pois é aí que as respostas são quase sempre reveladoras das suas personalidades. Dos seus interesses. Das suas motivações.

Frase do dia

Se você está se sentindo um inútil, que nem serve como pano-de-chão,um frustrado, imprestável e insignificante, lembre-se: um dia você já foi o espermatozóide mais esperto da turma..

Ainda sobre o arrastão...

Alguns amigos, ainda meio afectados pela psicose gerada pelo, suposto, “arrastão”, têm-me perguntado sobre a criminalidade aqui em Cabo Verde, como que São Nicolau fosse uma espécie de Cova da Moura e a insegurança, os assaltos e a violência fossem situações normais e frequentes. De facto, e infelizmente, existe uma ideia enraizada, na maior parte dos portugueses, que os Cabo-verdianos (como os ciganos, os guineenses e outros) estão fatalmente predestinados para o crime. Pura ignorância. Só para que conste, desde que estou em São Nicolau, nunca ouvi falar de um assalto ou de qualquer acto de violência que por aqui tenha ocorrido. E notem que só temos 6 polícias para a ilha inteira.

Só pessoas muito ignorantes é que podem associar os recentes actos de criminalidade a razões de cor ou nacionalidade. Se existe uma forte associação da pequena criminalidade às comunidades de origem cabo-verdianas, ou outras, tal se deve a um problema puro e duro de integração. Deles e, especialmente, nosso. De facto, em vez de os aceitarmos como portugueses que são, preferimos remete-los para a ilegalidade e os acantonar em autênticos ghuetos, onde, com as maiores taxas de desemprego, consumo de droga, analfabetismo e miséria, só se sobrevive dignamente se se enveredar pelo mundo do crime ou algo semelhante. Por isso, não nos devemos espantar nem surpreender com o que tem vindo a acontecer. Afinal fomos nós, orgulhosamente portugueses*, que criámos a bomba relógio que ao que parece, pelos últimos acontecimentos, está prestes a explodir.

*Já agora aconselho a leitura deste post, no Acidental, que de uma forma muito bem-humorada nos remete, os orgulhosamente portugueses, para as nossas mais fiéis origens.

quinta-feira, junho 23, 2005

Justificação II

Retomar a escrita diária neste blogue está mais difícil do que pensava. É certo que as tarefas escolares terminaram mas a verdade é que o bom tempo para a praia, as festas (nunca vi uma terra com tantas festas), a preguiça e a falta de inspiração insistem em não acabar.

quarta-feira, junho 22, 2005

Quando o verão chegar

Quando o verão chegar
Eu quero ser mais forte do que sou...
Sem medo no olhar
Nenhum motivo p'ra chorar
Quando o verão chegar
O Sol mais forte aparecerá
E vai nos aquecer
Viver é preciso viver
Por isso vem,
Não pare de sonhar
Com Deus no coração
Sonhar é mais que realidade
Por isso vem
Contigo eu sou mais eu
Preciso de você
P'ra sempre e sempre ao meu lado
Quando o verão chegar
Eu quero transformar tudo em amor
Um mundo bem melhor
P'ra minha filha poder brincar...

Grupo Catedral

segunda-feira, junho 20, 2005

Justificação

Por imperativos profissionais, avaliações de final de ano e outras tarefas associadas, tem-me sido impossível escrever aqui com a regularidade que queria. Contudo, lá para quarta-feira, tudo voltará ao normal. Até lá.

sábado, junho 18, 2005

Sábado de Sol

Uma dica de/para futuros pais para um lindo sábado de sol. Para o papai, pela manhã, participar de um torneio de futebol, parando para um bom almoço com os amigos, terminando a tarde de preferência ganhando o torneio e voltando para casa à noite feliz da vida, e cheio de histórias para contar. Para a mamãe, pela manhã, lavar todas as roupinhas do bebê que vai nascer em breve, almoçar o que sobrou de ontem, passar a ferro toda a tarde e esperar o marido chegar à noite feliz da vida, mas com uma baita dor nas costas.

quinta-feira, junho 16, 2005

Contagem decrescente II

Daqui a precisamente 1 mês chegarei a Portugal. Em festa.

É urgente o amor

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade

Praticamente de férias...

by Helga Correia ( Ilha do Maio / Cabo Verde )

Contagem decrescente

Daqui a precisamente 1 mês deixarei São Nicolau. Em lágrimas.

Adaptações

Morei em Portugal por dois anos (2000/01) e tenho muitas recordações desse período. Em especial das primeiras semanas de adaptação. Vou tentar contar algumas experiências que me lembro por hora.
No meu primeiro jantar teve sopa de nabiça. Depois de 12 horas de viagem eu estava mesmo com fome e confesso que me decepcionei com a tal sopa ralinha (é que no Brasil não temos o hábito de sevir sopa como entrada, geralmente é uma saladinha). Se bem que na casa da minha mãe, quando tinha sopa para o jantar era só sopa mesmo, então, era bem reforçada. Mas, para não fazer desfeita comi a tal da sopa e estou traumatizada até hoje.
Eu tinha levado algumas prendas para a família mas não estavam embrulhadas. Previdente que sou, levei as embalagens das lojas mas me esqueci de levar a fita cola (que por aqui chama-se durex). Em um dado momento exclamei: Não acredito que fui esquecer justamente de trazer durex! Gente! Alguém tem durex para me emprestar?! Percebi um certo silêncio até receber uma cotovelada do Daniel dizendo o que era o tal durex em Portugal. Enfim, os embrulhos foram sem durex mesmo.
Num outro dia estava eu procurando um "tanque" para lavar algumas peças de roupa. Não tive sucesso. Achei muito estranho as casas não terem (pelo menos as que eu conheci) uma área de serviço, um local exclusivo para abrigar a máquina de lavar roupas, o tanque e outros utensílios de limpeza. Por falar em utensílios, me lembrei do rodo (aquela ferramenta doméstica que tem um cabo como o das vassouras mas em vez de pelos tem uma faixa de borracha para puxar a água do chão). No princípio não sabia como limpar uma casa sem o tal rodo. Só depois me acostumei à esfregona que também é bem prática.
Minha primeira ida ao supermercado foi cheia de novas descobertas. Primeiro a adaptação a uma nova moeda e depois aos "novos" produtos. Outras marcas, outras embalagens... Por aqui as embalagens de sabão em pó são de 1 kg só, e usamos o mesmo pó para lavar à mão ou à máquina, por exemplo.
No talho foi bem difícil. Eu, acostumada a comprar muita carne de boi (ou de vaca se preferirem), não sabia como pedir os cortes do mesmo. Por aqui não pedimos um bife de boi simplesmente, pedimos bife de alcatra, contra-filé, paleta, coxão, e por aí vai. Depois foi o preço (nesse caso me adaptei rapidinho) que não permitia consumir a carne de boi na mesma medida que aqui. E lá fui eu para os bifes de peru e de porco, muito mais em conta e também saborosos.
Até uma coisa simples como o sal tem sua particularidade. Usamos o sal fino para cozinhar e minha mão já sabia a medida. Quando me deparei com o sal mais grosso errei várias vezes. Para mim sal grosso era só para o churrasco.
Daí o churrasco. Bom, quando me convidaram para ir à churrasqueira logo me empolguei. Oba, picanha, costela! Até que veio o garçon com um frango esquartejado e eu pensando com os meus talheres: cadê o churrasco?! Mas o frango estava uma delícia.
A adptação aconteceu rapidamente e para mim foi uma expeiência inesquecível. Amei estar em Portugal, sinto saudades. Enquanto estava a viver lá era mais portuguesa do que os próprios portugueses (em geral não valorizamos o que é nosso). Vesti a camisa.
E você, alguma vez já passou por uma situação dessas?

quarta-feira, junho 15, 2005

As Mãos e os Frutos

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

Eugénio de Andrade

O Poeta

( Cidade da Praia / Ilha de Santiago / Cabo Verde )

terça-feira, junho 14, 2005

As aparências, por vezes, iludem...

Ao que parece Michael Jackson foi ilibado de todas as acusações, referentes a abusos sexuais a menores, de que era alvo. Apesar disso, certamente que a maior parte das pessoas não acredita que ele esteja inocente. A sua aparência e excentricidade não jogam a seu favor. Ainda se fosse, assim bem parecido, como o Carlos Cruz ou o Paulo Pedroso até podia ser. Mas assim... não engana ninguém. Não é?

Jantar com o Embaixador (Actual.)

Ontem, por ocasião de um jantar de boas vindas oferecido pela câmara municipal, tive a honra de poder receber, praticamente na minha casa, o embaixador de Portugal em Cabo Verde. Digo praticamente em minha casa porque o jantar foi no restaurante da pensão onde vivo. E ainda bem. Porque só assim é que pude assistir, enquanto comia lagosta e outras iguarias, a uma extraordinária tocatina de música cabo-verdiana. Venham mais destes.

[Adenda]: Acabo de receber um telefonema da Câmara Municipal da Vila da Ribeira Brava a sugerir que, eu e a minha colega, convidemos o Sr. Embaixador para jantar de novo. Ao que parece não têm nada para ele fazer esta noite... O pior é que, desta vez, quem vai pagar o jantar vamos ser nós. Só espero que não goste muito de lagosta... Afinal, é melhor não virem mais destes.

Álvaro Cunhal

Aos 91 anos, Álvaro Cunhal, o pai do comunismo em Portugal, morreu. Personagem incontornável da vida política portuguesa, Álvaro Cunhal sempre cultivou uma imagem de ser superior, imutável e misterioso. Foi talvez o político português que mais paixões e ódios arrebatou. Claro que, postumamente, como sempre, quase todos são unânimes em elogios. Uns dizem que foi de uma coerência ímpar. Outros, que foi herói na luta que fez pela conquista da democracia e liberdade em Portugal, e não sei mais o quê. Mas, sejamos claros. Álvaro Cunhal não foi coerente. Foi simplesmente pouco atento, para não dizer burro, em não perceber as mudanças radicais que, ao longo do tempo, foram acontecendo no mundo e nos países que eram o seu modelo político. Mais. Por muito que custe a alguns, a verdade é que Álvaro Cunhal nunca foi pela democracia e liberdade. Não eram esses os seus ideais. O seu único ideal era o comunismo. Tudo o resto eram meios para atingir o seu fim: A substituição da ditadura Salazarista de direita por uma ditadura comunista igualzinha à da antiga Albânia. Mas, note-se, tudo em prol dos trabalhadores e da classe operária. Claro.

De volta

Após estas mini-férias, estou de volta às Coisas Breves. Espero que vocês também. Até já.

segunda-feira, junho 13, 2005

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.

Eugénio de Andrade

sábado, junho 11, 2005

Arrastão

Deu nos jornais brasileiros: "Centenas de jovens assaltaram banhistas em uma das praias mais famosas de Portugal nesta sexta-feira, e pelo menos dois policiais ficaram feridos na confusão. Cerca de 400 jovens em gangues invadiram a praia lotada em Carcavelos, um distrito rico cerca de 20 quilômetros a oeste de Lisboa, atacando e roubando banhistas no feriado nacional de Portugal, disse a polícia em comunicado. A tropa de choque foi chamada para acalmar a situação. Quatro pessoas foram presas, segundo a polícia. Roubos de gangues são raros em Portugal, que desfruta de um índice de criminalidade relativamente baixo."
Com tanta coisa boa para Portugal importar do Brasil foram logo pegar essa terrível modalidade criminal? Que tomem providências já. Ou será que nem mesmo ir à praia sossegado um indivíduo pode mais? O "arrastão" é uma vergonha para o Brasil, em especial para o Rio de Janeiro.

sexta-feira, junho 10, 2005

Dia dos Namorados

Por aqui no Brasil comemoramos o dia dos namorados no dia 12 de junho (foi escolhido o dia 12 por ser véspera de Santo Antônio, o "santo casamenteiro"). A escolha do mês de junho não passou de uma estratégia de marketing, já que nesse mês as vendas no comércio costumavam ser baixas. Não importa se sua origem é comercial ou romântica, o que me interessa é que hoje à noite nossa igreja vai promover um jantar de casais e o cardápio vai ser de frutos do mar (camarão, lulas e coisas assim) a um precinho módico de R$ 35,00 por casal (cerca de 12 Euros pelo câmbio atual). Alguém está interessado?

quinta-feira, junho 09, 2005

Num dia de praia, fica o conselho...

Se alguém lhe disser, enquanto toma banho no mar, que a água junto a ele está mais quentinha, desconfie. No mínimo.

Não digas nada

Não: não digas nada!
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já

É ouvi-lo melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das frases e dos dias.

És melhor do que tu.
Não digas nada: sê!
Graça do corpo nu
Que invisível se vê.

Fernando Pessoa

Desejos

quarta-feira, junho 08, 2005

Constatação

O meu maior problema nas aulas* é o chulé. Dos alunos. Note-se.

* Já agora, convém que se saiba que as aulas são dadas em salas pequenas, muito quentes e sem ventilação, com cerca de 40 alunos por turma, transpirados e, ainda por cima, calçados de chinelos ou sandálias.

Época de incêndios

Depois da época balnear, da época de exames, da época da caça, passámos a ter, também, a época dos incêndios. Todos os anos a mesma coisa. Primeiro vem a seca. Depois as ondas de calor. E, finalmente, os incêndios. Parece algo inevitável. Mas não é. Tudo isto é preparado ao mais ínfimo pormenor. Como se de um ritual se tratasse. De facto, isto não é mais do que uma campanha publicitária, orquestrada pelos órgãos de informação, em especial as televisões, ávidos de imagens dantescas com chamas alaranjadas a lamber o máximo de árvores e casas possíveis. Não tenham dúvidas. As televisões preparam-se melhor, com equipamentos sofisticados, montes de jornalistas corajosos, uns quantos helicópteros e não sei mais o quê, do que os próprios bombeiros. Claro que depois há que justificar todo esse investimento. O que faz com que os primeiros 20 minutos de telejornal sejam aquela miséria informativa exclusivamente sobre incêndios. Inevitavelmente, tudo é sobrevalorizado, exagerado e dramático. Os aviões. Ou a falta deles. Os helicópteros lançando jorros de água sobre as chamas. Bombeiros correndo de um lado para o outro, impotentes. Sucessivas entrevistas a gente transpirada e suja de cinzas. Rostos de velhinhas cobertas de lágrimas. Hectares e hectares destruídos. Pontos de situação. Enfim... É de um gajo ficar farto. Enojado, até. Dos incêndios, é certo, mas mais ainda dos telejornais. Uma verdadeira seca. E pior, a melhor publicidade para que haja mais incêndios e incendiários. Mas isso não interessa nada. Desde que as audiências estejam garantidas. Claro.

Depus a máscara

Depus a máscara e vi-me ao espelho.
Era a criança de há quantos anos.
Não tinha mudado nada...
É essa a vantagem de saber tirar a máscara.
É-se sempre a criança,
O passado que foi
A criança.
Depus a máscara, e tornei a pô-la.
Assim é melhor,
Assim sem a máscara.
E volto à personalidade como a um términus de linha.

Álvaro de Campos

Outros transportes...

by Helga Correia ( Senegal )

terça-feira, junho 07, 2005

Desejos da época

Apetece-me cuspir caroços. De cerejas. De muitas cerejas. Daquelas, doces e frescas, que vêm às 3 e às 4 de uma vez.

Não sei se isto faz sentido, mas...

Imagine se a paixão funcionasse ao contrário. Tudo começaria numa discussão. Seguir-se iam algumas traições e mentiras. Depois, alguns ciúmes e quem sabe algum interesse. Claro que, com o tempo, o interesse ia-se intensificando até ficar mais forte que nunca. Cada pequena coisa nos iria surpreender, como se fosse a primeira vez. A paixão tomaria conta de nós, aos poucos, de uma forma cada vez mais intensa e menos madura. Sempre em crescendo. Até que, por milagre, perderíamos da nossa consciência tal pessoa. Como se nunca a conhecêssemos.

Ainda o défice...

Nestes últimos dias muito se tem falado no défice e nas medidas muito chatas que o governo anunciou. Eu próprio já aqui disse qualquer coisa sobre isso. Porém, deixem-me voltar ao assunto, e em particular, à intenção do Governo de tornar públicas as declarações de rendimentos dos contribuintes. A ideia é simples. Tornar cada pessoa num informador fiscal da fraude do vizinho, conhecido ou amigo. Claro que para isto funcionar, será necessário que todos tenhamos um pouco de curiosidade, inveja, mesquinhez e vaidade. Mas isso não é problema, pois há muito que os nossos antepassados se encarregaram de colocar isso nos nossos genes.

Assim, não tenho dúvidas que muitos, por curiosidade, não deixarão de ir consultar os rendimentos dos amigos e vizinhos e de fazer dessas declarações conversas de supermercado e de maledicência. Claro que isso fará que alguns, por inveja e mesquinhez, denunciem o seu vizinho ou amigo. Ou, pelo menos, que alguns, por vaidade, passem a declarar mais qualquer coisa só para fazerem figura perante os vizinhos.

No entanto, parece-me que esta medida pode-se tormar contra producente. Ora todos sabemos que são poucos aqueles que, podendo, não fogem ao fisco. Desde que seja o estado, o desconhecido ou abstracto a lixar-se, não há culpa que nos faça sentir mal. Pelo contrário. Caso não o façamos ou é porque somos estúpidos ou ignorantes. Afinal, nós somos uns espertalhões, e o que seria trágico era se, podendo, não fugíssemos ao fisco. Está na nossa cultura. Assim, ou muito me engano ou então, as declarações fraudulentas, de acesso público, em vez de serem eventualmente denunciadas vão servir é como manuais de aprendizagem de fuga ao fisco. Até porque se outro ganha com isso porque não hei-de eu ganhar também? E desde que ganhemos todos, não há grande problema. Não é?

segunda-feira, junho 06, 2005

Estado de Espírito

Hoje não me apetece. Os índices de preguiça estão ao rubro.

domingo, junho 05, 2005

Carambolas!


Posted by Hello Não pensem que é um "palavrão". Carambola é simplesmente o nome dessa frutinha aí da foto que tem uma forma curiosa, de gomos achatados, que, quando cortados no sentido transversal, têm o aspecto de estrelinha. Essa fruta é originária da Ásia mas veio para o Brasil desde 1817 e caiu no gosto do povo. Tem um exótico sabor agridoce e é ótima para fazer sucos bem refrescantes sem falar nas vitaminas, tanino, e essas coisas nas quais normalmente não pensamos quando bebemos um suco no verão.

sábado, junho 04, 2005

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa

sexta-feira, junho 03, 2005

Abre a janela do quarto e deixa o sol entrar...

by Helga Correia ( Caleijão / São Nicolau / Cabo Verde )

Das duas uma

Já aqui referi a minha concordância com as medidas anunciadas pelo governo português para fazer frente ao défice. Das duas uma. Ou faço-o porque ainda sou ingénuo em acreditar nos políticos, nas políticas, nas ideologias e no bem comum. Ou então porque não sou um funcionário público, fumador, prestes a subir de carreira, com dois filhos para criar e dois automóveis para sustentar.

Constatação

Quando um homem se interessa pelo corpo de uma mulher, ela acusa-o de só se interessar pelo corpo dela. Mas, quando ele não se interessa pelo corpo dela, ela acusa-o de só se interessar pelo corpo de outras mulheres. Vá se lá entender...

Cúmulo da adaptação

Hoje dei conta do quanto estou adaptado a São Nicolau, a Cabo Verde, a África. Então não é que já consigo beber dois ou três golos de água, directamente da torneira, sem ficar com uma crise de diarreia?!

* Por outro lado, andar a beber água de garrafa, durante dois anos, de uma marca com o nome Penacova também não é lá muito animador... Ainda para mais a 1 euro o litro...

quarta-feira, junho 01, 2005

Desabafo

"Distribuição de renda no Brasil é 2ª pior do mundo de acordo com Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). BRASÍLIA (Reuters) - Apesar dos avanços nos últimos anos nas áreas de educação e combate à pobreza, o Brasil continua a ter uma das piores distribuições de renda do mundo, perdendo apenas para Serra Leoa, na África. O instituto, ligado ao Ministério do Planejamento, apontou que 1% dos brasileiros mais ricos detêm uma renda equivalente aos ganhos dos 50% dos mais pobres."
Lendo este artigo dá para entender muita coisa. O brasileiro trabalha sim, e muito, mas seus rendimentos... são poucos. Férias é um "luxo" que poucos usufruem. Mesmo os que ficam um mês longe de seus empregos, não conseguem viajar ou passear com a família. Aproveitam para "aliviar" alguma prestação ou então quitar uma dívida. Mas a maioria mesmo aproveita as férias para arranjar um bico (biscate) para complementar a renda familiar. O índice de desemprego é alto, mas é porque a maioria das pessoas estão em algum trabalho informal, ou seja, não descontam para a previdência. Sabe lá o que é você ter que ficar 12 meses pagando um guarda-roupa ou 20 meses pagando a geladeira? O povo faz prestações até nas compras de supermercado (quando passamos pelo caixa nos perguntam se queremos parcelar em quantas vezes, 3, 4 ou 5). Embora tenhamos uma das maiores produções agropecuárias do mundo o Brasil é um país onde é preciso o governo fazer campanha contra a fome . Falta comida!!! Nossos depósitos de lixo possuem milhares de pessoas que vivem (sobrevivem) catando aquilo que podem. Coisas assim acontecem e fazem parte do nosso dia a dia.
Os primeiros colonizadores traziam espelhos para os nativos em troca de metais, pedras, animais e talvez até serviços. Os governantes hoje em dia também nos dão espelhos, mas esses agora têm outro nome. No ano que vem teremos eleições para presidente, governadores, senadores e deputados em outubro. Teremos também um grande espelho para nos distrair, a copa do mundo, além dos habituais espelhinhos de sempre, carnaval e festas populares. Nesses dias parece que tudo vai bem, nos esquecemos de toda a problemática da política. E sorrimos, festejamos e celebramos mesmo de barriga vazia e boca desprovida de dentes: O BRASIL É PENTA CAMPEÃO!!!

Ainda as crianças

Como todos os Dias Internacionais de Qualquer Coisa, Cabo Verde, viveu o Dia Mundial da Criança de uma maneira bastante efusiva e visível. Mas este dia foi bem especial. Tão especial que o governo, ontem, decretou o dia de hoje como feriado nacional, como, ao que parece, já era no tempo de Amílcar Cabral. Mas o que foi realmente bem especial foram as actividades que as crianças realizaram. Teatro, danças, desporto, poesia, música e actividades lúdicas, tudo foi vivido com uma intensidade impressionante. De facto, elas conseguem proporcionar momentos únicos, com uma vivacidade e alegria incomparáveis, convencendo-me, cada vez mais, que, apesar de todas as dificuldades, são imensamente felizes.

* Já agora, aproveito o tema para partilhar com vocês a primeira foto da minha sobrinha (e filha da Renata).

Dia Mundial da Criança

( Vila da Ribeira Brava / São Nicolau / Cabo Verde )