terça-feira, maio 31, 2005

O amor é uma coisa a vida é outra

Hoje em dia as pessoas apaixonam-se por uma questão prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão mesmo ali ao lado. Por que se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornam-se sócios. Reunem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psicosócio-bio-ecológica da camaradagem. A paixão que devia ser desmedida é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade ficam "praticamente" apaixonadas.

Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim da tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Amor é amor. É essa a beleza. É esse o perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O amor é uma coisa a vida é outra. A vida que se lixe. A vida dura uma vida inteira, o amor não.

* Texto adaptado, rasurado e emendado a partir de uma crónica de Miguel Esteves Cardoso

Nasce Selvagem

Mais que a um país
Que a uma família ou geração
Mais que a um passado
Que a uma história ou tradição

Tu pertences a ti
Não és de ninguém

Mais que a um patrão
Que a uma rotina ou profissão
Mais do que a um partido
Que a uma equipa ou religião

Tu pertences a ti
Não és de ninguém

Vive selvagem e para ti serás alguém
Nesta viagem

Quando alguém nasce, nasce selvagem
Não é de ninguém
Quando alguém nasce, nasce selvagem
Não é de ninguém, de ninguém

Delfins

Outros Sinais

By Helga Correia ( São Nicolau / Cabo Verde )

Pensamento do dia

Apesar de Cabo Verde ter a sua companhia aérea nacional e a sua própria marca de cerveja, ainda não é um país para ser levado a sério. Pelo menos enquanto não tiver uma boa equipa de futebol e algumas armas nucleares. Pois claro.

segunda-feira, maio 30, 2005

Vidas Reais

Passei este fim-de-semana no Tarrafal, local sempre muito animado e divertido. Oportunidade para assistir a um festival de música e conviver com alguns amigos que tenho por ali. E foi ali que soube de uma história que se passou, no pólo escolar do Tarrafal, nestes últimos dias. A história, apesar de bem real, é meio rocambolesca e vão-me desculpar se não a conseguir contar como deve ser. Tudo começa na escola, quando uma aluna do 8ºano, com 15 anos, apareceu em pânico, e a chorar imenso, a dizer que a queriam matar. E para fazer prova disso mesmo, mostrava 10 cartas anónimas onde, em brasileiro, se podiam ler diálogos de amor, discussões de ciúmes, declarações de amor, relatos amorosos, revelações de gravidez, ameaças, e.t.c. Ao que parece, todas estas cartas tinham que ver com um rapaz, com o qual esta aluna tinha um relacionamento, e, supostamente, pelo que a aluna dizia, eram escritas pela namorada do tal rapaz. Numa dessas cartas fazia-se mesmo uma ameaça de morte, dizendo que se a tal aluna não deixasse o tal rapaz sossegado iria morrer. Ora, quando todos os professores tentavam desvalorizar tais palavras, foi aí que a aluna começou a dizer que se estava a sentir mal, mal disposta e com náuseas. Enquanto todos atribuíam tal mal-estar aos nervos da rapariga, ela começa a dizer que não, que era algo muito mais grave, e que se recordava de ter bebido uma garrafa de água que não lhe tinha sabido muito bem e que se calhar, dadas as ameaças, a água estaria mas era envenenada. Claro que ninguém levou a sério tal sugestão, mas, dada a insistência da rapariga, lá procuraram a tal garrafa, e a verdade é que, para surpresa de todos, constataram que a água estava mesmo envenenada, com veneno para matar os ratos. Obviamente, a rapariga foi logo encaminhada para o hospital, primeiro no Tarrafal e depois em São Vicente, onde se encontra, até hoje, bem de saúde e quase recuperada.

Porém a história não termina aqui. O final, tal como num bom filme, é sempre mais surpreendente do que poderíamos esperar. Segundo diz o director da escola, afinal quem está grávida é a aluna que se encontra no hospital. E mais. Ao que parece, segundo as investigações mais recentes, foi a própria aluna a escrever as tais cartas anónimas e a inventar e a criar toda esta confusão e situação. O pior é que o veneno da garrafa era bem real e, pelo que dizem, foi ela própria que o colocou na garrafa com o propósito, não de se matar, mas sim, de provocar um aborto espontâneo e assim se ver livre daquela gravidez indesejada.

Por muito dura que seja a realidade local, esta história não deixa de surpreender pelo seu enredo hollywoodesco. Aliás, o que se diz por aqui, é que a culpa disto tudo é das novelas brasileiras… inspiradoras de tanta imaginação...

Taça de Portugal

Não posso deixar de dar os parabéns ao Porto e ao Sporting pela recente conquista da taça de Portugal. Foi o culminar de uma época em cheio.

domingo, maio 29, 2005

Porque hoje é domingo...


Posted by HelloEste simpático animal da foto é o famoso bicho preguiça. Não é montagem, ele tem mesmo essa carinha de quem está sorrindo. Costuma descansar de 14 a 24 horas por dia!! Até parece com alguém que conhecemos. Como hoje é domingo, costuma sempre rolar aquela prévia da preguicinha de segunda-feira, né não?

sábado, maio 28, 2005

Pérolas...

Ex-presidente do Clube Corinthians, Vicente Matheus tornou-se famoso por suas frases sem pé nem cabeça. Vejam a seguir algumas de suas "pérolas".

"Quem está na chuva é para se queimar."
"Quero mesblar jovens e velhos da diretoria."
"Tive uma infantilidade muito triste."
"O difícil não é fácil."
"De gole em gole, a galinha enche o papo."
"Não veio o Falcão, mas comprei o Lero-lero." (referindo-se ao jogador Biro-biro)
"Peço aos corinthianos que compareçam às urnas para naufragar nossa chapa."


No mundo do futebol (e não só) é muito comum vermos frases desse tipo. Você se lembra de alguma?

sexta-feira, maio 27, 2005

Esquadros

eu ando pelo mundo prestando atenção
em cores que eu não sei o nome
cores de almodóvar
cores de frida kahlo, cores
passeio pelo escuro
eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
e como uma segunda pele, um calo, uma casca,
uma cápsula protetora
eu quero chegar antes
pra sinalizar o estar de cada coisa
filtrar seus graus
eu ando pelo mundo divertindo gente
chorando ao telefone
e vendo doer a fome nos meninos que têm fome

pela janela do quarto
pela janela do carro
pela tela, pela janela
(quem é ela, quem é ela?)
eu vejo tudo enquadrado
remoto controle

eu ando pelo mundo
e os automóveis correm para quê?
as crianças correm para onde?
transito entre dois lados de um lado
eu gosto de opostos
exponho o meu modo, me mostro
eu canto pra quem?

eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
minha alegria, meu cansaço?
meu amor cadê você?
eu acordei
não tem ninguém ao lado

Adriana Calcanhoto

Finalmente, Sexta-Feira!

By Helga Correia ( Santa Luzia / Cabo Verde )

quinta-feira, maio 26, 2005

Feira de vaidades

Ao que parece, tiveram ontem início as Feiras do Livro de Lisboa e Porto. Apesar da admitir a utilidade e interesse dessas feiras, confesso que a mim me dizem muito pouco ou nada. De facto, parece-me que a maior parte das pessoas que vão lá, vai apenas numa de marcar presença, para parecer bem ou para parecer que até gosta de ler e que é culto. Eu cá, pelo menos, admito que quando vou lá, vou apenas para ver as montras e as gajas. E se comprar um livro, ou dois, acreditem que não é por ser mais barato ou qualquer coisa do género, mas sim, para poder fazer figura, com o saco da Feira do Livro, nos transportes públicos.

Frase do dia

Há livros que só servem para evitar espaços vazios na estante.

Livros e leituras

Aposto que já devem ter reparado que os meus índices de leitura não são nada famosos. De facto, leio pouco. Ou pelo menos, não leio tanto quanto devia. No máximo, excluindo os científicos, um livro por mês. Quanto muito. Actualmente, na minha mesa de cabeceira, tenho três livros: Os Cem Anos de Solidão, do Gabriel García Márquez; As Farpas, do Eça e o Apocalipse Nau, do Rui Zink. Porém, destes três, só estou a ler o último (por sinal, bem interessante). Os outros, abandonei-os há uns bons meses atrás. E só não os tiro daqui porque sempre vão impressionando as visitas e decorando o quarto.

A verdade é que não consigo ler só por ler. Por simples prazer. Tenho que gostar. E muito. O pior é que são poucos os livros de que gosto. Que me dão interesse. O que é uma pena, diga-se. Por exemplo, gostava imenso de ler, e perceber, os livros do António Lobo Antunes. Mas, confesso, que após tantas tentativas frustradas tive de desistir e contentar-me com umas crónicas. È demais para mim.

Além disso, tenho um problema grave de concentração. De facto, é frequente me perder, enquanto leio, em outros pensamentos bem longe do texto, ao ponto de não me lembrar de nada do que leio e de, repetidamente, ter que voltar atrás na leitura. No fundo, parece que ainda nem sequer aprendi bem a ler. E se isso é assim, muito se deve ao facto dos meus pais não me terem obrigado, enquanto criança, a ler e a fazer os respectivos resumos. Se o tivessem feito, talvez hoje tivesse níveis de concentração de leitura bem melhores, e até, quem sabe, uma credibilidade bem diferente, nem que fosse, por usar uns óculos fundo de garrafa.

Gentileza


Posted by Hello
Se você é daqueles que gostam de ouvir música brasileira em geral e em particular a Marisa Monte, já deve ter ouvido a música Gentileza. Se você não é brasileiro e muito menos carioca talvez não perceba muito o que a letra quer dizer.

"Apagaram tudo, pintaram tudo de cinza
A palavra no muro ficou coberta de tinta
Apagaram tudo, pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro tristeza e tinta fresca
Nós que passamos apressados pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras e as palavras de Gentileza
Por isso eu pergunto a vocês no mundo
Se é mais inteligente o livro ou a sabedoria
O mundo é uma escola a vida é o circo
Amor palavra que liberta já dizia o profeta"

José Datrino (1917-1996), verdadeiro nome do "profeta" Gentileza, começou a pregar suas mensagens após um incêndio que destruiu um circo em Niterói, em 1961. O acidente, que matou cerca de 400 pessoas, marcou-o tão profundamente que o fez abandonar tudo: empresa, mulher e filhos. Inicialmente visto como louco, ele logo conquistou o respeito de todos. Pregava nas praças e colocava-se nas barcas entre Rio e Niterói anunciando sem cansar:''Gentileza gera gentileza''. Só com gentileza, dizia, superamos a violência que se deriva do ''capeta-capital''. Inscreveu seus ensinamentos ligados à gentileza em 55 pilastras do viaduto do Caju, à entrada da cidade do Rio de janeiro, próximo à rodoviária. Um dia um prefeito resolver "limpar" as pilastras passando tinta por cima de tudo e houve protestos por toda a parte. Uma equipe então foi designada para restaurar e manter os escritos nas pilastras e até hoje quem entra na cidade pode ver a obra desse "profeta". Marisa fez a música no dia em que foi apresentar os murais ao parceiro Carlinhos Brown, antes do projeto de recuperação, e viu que não havia mais nada. Chocada, escreveu a música.

quarta-feira, maio 25, 2005

Frase do dia

Nunca é tarde para você ser o que poderia ter sido.

Winston Churchill

Défice

Foram hoje apresentadas, pelo governo de José Sócrates, as medidas julgadas necessárias para enfrentar o já famoso, e velho, défice das contas públicas portuguesas. Na linha do que tem sido a actuação do governo, mais uma vez, as medidas apresentadas parecem-me acertadas, corajosas e indicadoras de que este governo sabe bem o que quer para o país e que “não deixará de fazer o que tem de ser feito”, nem que para isso tenha que ser impopular e enfrentar os poderosos grupos de interesses, nos quais, desta vez, me incluo.

Voltarei a isto, e a algumas medidas em mais pormenor.

Caminho...

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga

16 de Julho, o Regresso

By Helga Correia

*Fotografia tirada no avião numa viagem de regresso de Cabo Verde para Portugal

Mais um português a ganhar o Euromilhões

Como já aqui referi, durante muito tempo, tive em António Guterres a minha referência política. Desta forma, não posso deixar de ficar contente e orgulhoso com a sua nomeação para o importante cargo de alto comissário da ONU para os Refugiados. A história ainda lhe vai fazer justiça.

* Título roubado do blogue dos Marretas

3 em 1

Hoje disseram-me que eu era um gajo abençoado. E talvez tenham razão. Pelo menos quanto ao facto de ser Benfiquista, Protestante e Socialista.

Ainda sobre o Benfica...

1. Toda a gente anda a desvalorizar o título que o Benfica conquistou. Fique claro, porém, que o Benfica foi a melhor equipa do campeonato. Por isso foi campeão. Claro que não foi um campeão indiscutível como o Porto o foi o ano passado, mas, no entanto, é muito injusto dizer que não mereceu este título. Até porque, é bom não esquecer, o 2º classificado deste campeonato, o Porto, é o actual detentor do título de melhor equipa do mundo e o terceiro classificado, o Sporting, foi finalista, neste mesmo ano, da Taça UEFA. Querem mais?

2. Assim, quer se queira quer não, o Benfica foi a melhor equipa do campeonato. Não muito melhor. Apenas suficientemente melhor. Não quer isso dizer, porém, que é a equipa com melhores jogadores ou com o futebol mais bonito ou espectacular. Não chego a tanto. Basta-me constatar que foi a equipa mais regular, mais forte nos momentos decisivos e com mais vontade de ganhar. Contra tudo e contra todos, diga-se.

3. A verdade é que este título, mais que merecido, foi conquistado. E isso deve-se, além dos jogadores, a duas pessoas: Filipe Vieira e Trapatoni. A Filipe Vieira porque, apesar das enormes dificuldades financeiras e outras, conseguiu construir uma equipa ao longo de três anos, mantendo os jogadores chave, e assim, dando a estabilidade indispensável a um clube se tornar campeão. Além disso, contratou o treinador certo, para o momento certo, e não desbaratou recursos, que não existem, em contratações milionárias e infrutíferas. Fez o possível que a condição do clube permitiu e a verdade é que chegou. Mas este título tem também a marca de Trapatoni. Até porque Trapatoni foi a pessoa mais injustiçada ao longo deste campeonato. Até por mim, diga-se. Porém, foi o principal responsável e autor deste título. Foi mais do que um treinador. Foi, como dizem, e bem, os jogadores, um Pai. O seu exemplo (empenho nos treinos como poucos, determinação, vontade de ganhar), a sua humildade (ao contentar-se com os jogadores que tinha) e o seu profissionalismo (falando português, protegendo o grupo e o clube, não cedendo a pressões) é de louvar e recordar por todos. E notem que é um dos treinadores com mais currículo e maior prestígio no mundo, ou seja um treinador que já ganhou tudo e que não tem necessidade de dar provas a ninguém.

4. Claro que não poderia de deixar de falar em alguns jogadores fundamentais neste Benfica campeão. Na defesa, Luisão, destacou-se de uma forma indiscutível, calando muitas vozes críticas que pouco ou nada percebem de futebol. No meio campo, Manuel Fernandes foi o complemento ideal ao incansável Petit e confirmou ser um jogador de elite e de outros campeonatos. No ataque, Simão demonstrou ter o querer e a vontade que transformam um jogador mediano num jogador fundamental e insubstituível. Além destes, outros tantos jogadores mostraram, neste campeonato, ser os melhores nas suas posições, como é o caso do Miguel, Ricardo Rocha, Dos Santos e Quim.

6. Quase por último, não posso de deixar de falar dos eternos rivais, Porto e Sporting. Se é verdade que o Porto tem o melhor plantel do campeonato (apesar de alguns jogadores estarem sobrevalorizados), também é bem verdade que o Sporting é o que tem o onze mais fraco dos três grandes. Por isso mesmo, a maior decepção do campeonato vai para o Porto, já que o Sporting até superou as minhas melhores expectativas. Aliás, foi este ano que se confirmou que o Pinto da Costa afinal não é um ser tão infalível como se chegou a pensar, tantos foram os erros acumulados este ano. Claro, que sempre podem argumentar que, desta vez, não tiveram as ajudas dos árbitros… Mas mesmo assim, podiam ter dado um pouco mais de luta. Sinais do tempo, eu acho.

7. Obrigado Benfica. Já não era sem tempo.

terça-feira, maio 24, 2005

Há dias assim...

Devido ao elevado grau de preguiça, hoje, não escrevo mais do que isto. Afinal, a preguiça é a mãe de todos os vícios. E como uma mãe é uma mãe, devemos respeitá-la.

segunda-feira, maio 23, 2005


domingo, maio 22, 2005

Ser Benfiquista

Sou do Benfica
E isso me envaidece
Tenho a genica
Que a qualquer engrandece
Sou de um clube lutador
Que na luta com fervor
Nunca encontrou rival
Neste nosso Portugal.

Ser Benfiquista
É ter na alma a chama imensa
Que nos conquista
E leva à palma a luz intensa
Do sol que lá no céu
Risonho vem beijar
Com orgulho muito seu
As camisolas berrantes
Que nos campos a vibrar
São papoilas saltitantes

Luís Piçarra

Porque hoje é domingo


Posted by Hello Um bom exemplo. Não há nada melhor do que terminar(ou começar) a semana com um banho refrescante.

sábado, maio 21, 2005

Constatação

Já reparou que as mulheres quando não pensam em nada pensam sempre noutra coisa qualquer. Impressionante.

Semana Fértil

Esta semana soube-se que, na escola, quatro alunas estão grávidas. É o que se chama por aqui uma semana fértil. Aliás, tem sido um ano fértil. Como todos os anos, eu acho. Mas pior do que estes números é saber que as mães têm entre os 15 e os 17 anos e que pelo menos um dos pais é aluno do 7º ano e tem catorze anos. Aliás, ainda esta semana, por causa de uma destas situações, participei numa cachupada dos anjos* em favor de uma destas meninas. Apesar desta situação ser encarada com preocupação por parte das famílias, a verdade é que, por estas bandas, ninguém fica chocado com estas situações. Muito menos se sente algum tipo de descriminação ou gozo pelos alunos em causa. É a vida, diz-se. Infelizmente, e segundo o regulamento da escola, as alunas serão obrigadas a abandonar a escola. De facto, o regulamento é muito rigoroso, e talvez até injusto, nestes aspectos. Porém, e apesar de tudo, é uma das formas que a escola tem de controlar, punir, algumas situações menos desejáveis. Neste sentido, por exemplo, não é permitido que rapazes e raparigas troquem carinhos, abraços, beijos ou quaisquer outros tipos de afectos físicos, no recinto escolar. E a verdade é que os alunos, regra geral, cumprem. Até aqueles que são namorados. Mas o fruto proibido é sempre o mais apetecido, não é verdade?


* Cachupada dos anjos é uma tradição local que consiste em oferecer uma cachupa guisada (comida tradicional cabo –verdiana à base de milho) a todos os amigos, vizinhos e crianças de forma a se pedir protecção para os problemas que se avizinham. De facto, tirando a superstição associada, +e uma tradição bem bonita e bem elucidativa do espírito comunitário e de entreajuda que existe em São Nicolau.

Bem Querer

Quando o meu bem querer me vir
Estou certa que há de vir atrás
Há de me seguir por todos
Todos, todos, todos os umbrais

E quando o seu bem querer mentir
Que não vai haver adeus jamais
Há de responder com juras
Juras, juras, juras imorais

E quando o meu bem querer sentir
Que o amor é coisa tão fugaz
Há de me abraçar com a garra
A garra, a garra, a garra dos mortais

E quando o seu bem querer pedir
Pra você ficar um pouco mais
Há que me afagar com a calma
A calma, a calma, a calma dos casais

E quando o meu bem querer ouvir
O meu coração bater demais
Há de me rasgar com a fúria
A fúria, a fúria, a fúria assim dos animais

E quando o seu bem querer dormir
Tome conta que ele sonhe em paz
Como alguém que lhe apagasse a luz
Vedasse a porta e abrisse o gás

Chico Buarque

Outras Faces

By Helga Correia

sexta-feira, maio 20, 2005

Opções

É sempre assim. Desde o momento em que acordamos já começamos com as múltiplas escolhas. E saiba que se a sua opção for não optar por nada, essa já é a sua primeira opção do dia. Comigo há dias em que eu preferia que outros decidissem por mim. Que roupa vestir (embora as opções atualmente não sejam muitas), o que comer no desjejum, que tarefa doméstica fazer primeiro, o que preparar para o almoço, essas coisas. Vivemos na ditadura das opções. Quando vamos às compras isso é bem notório. Digamos que precisamos comprar um simples saco de pão de forma. Num supermercado de porte médio você encontra pelo menos 8 tipos diferentes (marcas, sabores, preços, com brindes, sem gordura...) e por aí vai. Na tv então é que a coisa complica. Às vezes nos pegamos a assistir cerca de três canais ao mesmo tempo (sem assistir nenhum, é claro). Mas nesse caso é porque em geral as opções são de má qualidade. Muitas escolhas que fazemos são erradas (não era essa a profissão que queria... sabia que devia ter virado à direita... bem que desconfiei que aquele produto era muito barato...), mas isso só percebemos depois que as fazemos. Também, como poderíamos saber que eram erradas se a vida não vem com as respostas certas no verso da folha?

Ressentimentos

Foi o meu pai que me ensinou o valor da honestidade. De facto, tudo o que eu não tenho devo a ele.

O bom filho à casa torna

Acabo de decidir voltar para Portugal. Em definitivo. Termina assim a minha aventura em Cabo Verde. Pelo menos por agora. De facto, tal como os Xutos dizem, a vida é sempre a perder. E eu, sinto que vou perder com este regresso. No entanto é chegada a hora. A hora de voltar à vidinha comum de que já me esqueci. Ao stress. À azáfama. Às coisas. E, também, à família. Como muitas vezes aqui referi, sinto-me muito bem em São Nicolau. Fui, sou, muito bem tratado. Neste dois anos, não tenho uma razão sequer de queixa. Um sequer problema. Um sequer mal entendido. Por todos sou respeitado e acarinhado. Por todos sinto uma enorme afectividade. Não sei se me tornei uma pessoa melhor. Talvez, apenas, um pouco diferente. Talvez, as coisas tenham deixado de ter demasiada importância para mim. Talvez o tempo seja agora menos importante. Talvez me tenha tornado mais solidário. Mais corajoso. Mais adulto. Mais preguiçoso. Mais velho. Sei lá.

Mas se isto é tão bom porque me vou embora? A resposta não é fácil, nem sei se a entenderão. A verdade é que, apesar de tudo, existe em mim a convicção que estou aqui temporariamente. Que um dia hei-de voltar às minhas raízes. E isso, quer se queira quer não, acaba por condicionar, pois faz com que não me comprometa com nada, e que vá adiando o meu futuro para o dia que hei-de voltar. Talvez seja por isso que isto é tão bom. Talvez seja por isso que eu vivo, o dia a dia, feliz, despreocupado e sem muitos problemas. Mas, no entanto, sempre com a sensação de estar a perder qualquer coisa, noutro lado que não aqui. A adiar o futuro. A desprezar o presente. Confesso, porém, que estive muito na dúvida em voltar. Se não tivesse família talvez ficasse aqui. Definitivamente. Mas a família ainda é mais importante do que eu. A sua felicidade continua a ser a minha felicidade. E por isso, como poderia recusar os insistentes pedidos da minha mãe para voltar?

Teorema

Não vá embora
Fique um pouco mais
Ninguém sabe fazer
O que você me faz
É exagero
E pode até não ser
O que você consegue
Ninguém sabe fazer.
Parece energia mas é só distorção
E não sabemos se isso é problema
Ou se é a solução
Não tenha medo
Não preste atenção
Não dê conselhos
Não peça permissão
É só você quem deve decidir o que fazer
Pra tentar ser feliz
(...)
Parece um teorema sem ter demonstração
E parece que sempre termina
Mas não tem fim.

Legião Urbana

Outras Piscinas

By Helga Correia (Juncalinho / Ilha de São Nicolau / Cabo Verde )

quinta-feira, maio 19, 2005

À consideração da Renata

Como professor, tenho reparado que, especialmente aqui em Cabo Verde em que tenho 40 alunos por turma, os alunos que se sentam nos lugares mais atrás, são invariavelmente, mais desatentos, menos participativos e, por conseguinte, com menor aproveitamento. De facto, acreditem, este factor pode ser determinante no sucesso escolar e, por consequência, na vida de um aluno. Ora, como na maior parte das vezes os alunos estão sentados por ordem alfabética, cabe aos pais terem em conta esta variável quando escolhem os nomes dos seus filhos. Depois não digam que não avisei.

*Para que conste, a Renata está grávida de 6 meses de uma menina, obviamente, linda, mas ainda sem nome.

* O "obviamente" da frase anterior deve-se ao facto da menina em causa ser minha sobrinha. Claro.

Frase do dia

Bem pior do que o fim do Coisas Breves é o fim do mês. Acreditem.

Estou de volta

Pois é, aquele Fim, foi um pouco precipitado. Era, digamos assim, o meu último cigarro. O pior é que estou viciado e apetece-me voltar. Ainda bem que a Renata escreveu esse post - até parece que foi combinado comigo. Assim, já tenho uma boa desculpa para voltar. Desculpem lá isto. Garanto-vos que não foi nenhum golpe de marketing , nem nenhuma tentativa de me massajarem o ego. Pelo contrário. Prometo, pelo menos até Julho, não fazer mais isto. Até porque compreendo que, com o fim do Coisas Breves, muitos dos que me visitam hoje ficariam sem nada para fazer nos empregos. Estou de volta. Até já.

Palavra de Incentivo

Queridos leitores, como leitora do Coisas Breves também fiquei um tanto quanto decepcionada quando vi o post "O FIM". Como co-autora fui apurar o ocorrido e recebi de fontes fidedignas a informação de que tudo não passa de problemas técnicos. Como já vimos em um post anterior houve um problema com o portátil do João e conforme ele mesmo nos explicou não existe em Cabo Verde a peça avariada sendo necessário encomendar a tal peça de Portugal, o que levará pelo menos duas semanas para chegar.
Sendo esse o problema, existe ainda uma esperança de o Coisas Breves continuar a existir. Claro que em princípio com um pouquinho de paciência por parte de todos nós.
Fica aqui então a minha palavra de incentivo para o João e a minha proposta: Eu sei você quer acabar com o blogue porque está sem computador. Mas repara, daqui a duas semanas ele vai chegar e você vai poder voltar a postar ao ritmo normal. Até lá eu vou fazendo o possível para manter o Coisas Breves vivo e ativo, aguardando a resolução desse pequeno problema. Pode contar comigo.
Aproveito também para agradecer aos amigos que enviaram mensagens ou deixaram comentários expressando seus pensamentos acerca do Coisas Breves que já conquistou seu espaço nas navegações diárias pela net. É sempre bom sentir esse retorno. Conto com vocês também nessa crise tecnológica do nosso blogue, afinal, amigo é para essas coisas.

segunda-feira, maio 16, 2005

Fim

Chegou ao fim.

Passos em volta

Quando o Sol chegou
Aos subúrbios da cidade
Anunciando mais um dia
Igual aos outros
Ele acordou e pressentiu
Que hoje o seu dia ia ser
Diferente
Sentiu nos lábios o sabor
Dum sorriso
Finalmente triunfante
Escorregou da cama
E contemplou
O espelho sorridente

Acabou-se a incerteza
Dos seus passos em volta
Dum sentido que ele nunca
Encontrou
Pela primeira vez
Tinha o destino nas mãos
Desta vez ele não duvidou

Sentiu-se invadir
Por uma estranha lucidez
Que o conduzia pelas calhas
Do passado
Serenamente descobriu
Que afinal tudo tinha o seu Sentido
Levou o olhar à janela
Lá em baixo
A rua estava abandonada
Levantou o fecho
E de repente
Alcançou a liberdade

Acabou-se a angústia
Dos seus passos em volta
Dum amor com que ele apenas
Sonhou
Pela primeira vez
Tinha o futuro nas mãos
Abriu a janela e voou ...

Jorge Palma

sexta-feira, maio 13, 2005

Sexta-feira 13 (parte 4)

Só para lembrar que hoje no Brasil comemora-se a assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel (13 de maio de 1888) marcando assim a abolição da escravatura. Êta povo que gosta de comemorar, todo dia tem uma coisa, uma festa.

Sexta-feira 13 (parte 3)

Hoje a cidade de Angra dos Reis foi acordada ao som dos morteiros lançados pela Marinha (Colégio Naval). Não, não estamos em guerra, era somente parte das comemorações religiosas da igreja católica na tradicional festa do divino Espírito Santo (herança dos açoreanos). Numa cerimônia teatral ao ar livre os soldados da marinha escoltam em suas escunas o menino Imperador (uma criança escolhida para fazer a representação) que é recepcionado por grupos de danças, bandas de música e fogos de artifício. Depois tem um almoço comunitário e de tarde uma missa. Parece que também faz parte da cerimônia libertar um preso. Enfim, o folclore da cidade que se mistura à religião (ou o contrário, não sei). Mas a parte dos morteiros até que foi interessante, acordar às 5:30 da manhã com o ribombar dos canhões...

Sexta-feira 13 (parte 2)

O fato de ser sexta-feira não me diz muito a não ser que é véspera de mais um fim de semana, mas como eu estou desempregada... Agora, o fato de ser 13, bom, aí já diz mais qualquer coisa. Hoje é o meu "mesversário" e o do João também!!! Daqui a 5 meses teremos festa para mim e daqui a 7 meses teremos festa para o João.

Sexta feira 13

Acabo de perder, muito estupidamente, diga-se, o texto que escrevi para hoje publicar. E agora não me apetece nada voltar a escrevê-lo. Talvez logo. Se me apetecer. Claro.

* Já agora, o texto era sobre as polémicas declarações proferidas pelo padre Domingos de Oliveira, durante a missa de 7º dia de uma menina de 5 anos, assasinada pelo pai e pela avó, em que disse que «Matar uma pessoa no seio materno é mais grave do que matar uma pessoa que não se pode defender. Uma menina de cinco anos pode reagir, pode chorar, queixar-se».

quinta-feira, maio 12, 2005

Basta a cada dia o seu mal

Estes últimos dias têm sido difíceis. Além, de alguns problemas pessoais de índole familiar, financeira e pseudo-amorosa, aconteceu-me de tudo um pouco. O joelho voltou-me a doer, o computador estragou-se, o Ministério da Educação levantou-me problemas no concurso de professores em Portugal, fiquei constipado e, pior do que tudo, o Sporting passou para o primeiro lugar no campeonato.

Post falhado

Estou há uma hora a tentar escrever algo acerca do Benfica, mas não consigo. Desisto. É demasiado doloroso. Mesmo assim, como prova, aqui ficam as sucessivas tentativas frustradas.

1ª Tentativa

Confesso que, a uns dias do decisivo jogo Benfica – Sporting, tenho evitado tudo o que se relaciona com o futebol e em especial com o Benfica. De facto, após tantas decepções, perdi a esperança. Mas a verdade é que ainda não me consigo conformar… Bahhhhhhhhh

2ª Tentativa


Sempre que tento discutir futebol, e em especial o meu Benfica, esbarro sempre em frases do tipo:” Do que é que estavas à espera?”, ou então, “Deixa lá isso, o futebol é mesmo assim!”. Confesso que, apesar das últimas exibições miseráveis do Benfica, … Bahhhhhhh

3ª Tentativa

Existe uma regra geral, enraizada na nossa cultura fatalista de aceitar tudo o que nos chega ás mãos, que é a seguinte: quando vir qualquer coisa que pareça gravemente errada, avariada, mal acabada ou mal pensada, inaceitável ou incrível, é escusado pôr-se com dúvidas porque aquilo é mesmo assim. Desta forma, Portugal é mesmo assim. O mundo é mesmo assim. A vida é mesmo assim. E até o Benfica é mesmo assim… Bahhhhhh

4ª Tentativa

Na falta de argumentos para a deplorável ponta final do Benfica, parece que o que ainda nos dá algum conforto é saber que o futebol é mesmo assim. De facto, tudo o que não podemos justificar, compreender ou por em causa, aceitamos que é mesmo assim. Assim, só espero, que no próximo jogo do Benfica não oiça ninguém perguntar “Estão a jogar mal de propósito ou é mesmo assim que jogam?” Bahhhhh

quarta-feira, maio 11, 2005

Efeitos colaterais

Continuo com o meu portátil sem funcionar. Isto está bem mais complicado do que eu pensava. Como temia, parece que não existe, em São Nicolau, a peça que eu estraguei. Por isso estou tentando reparar, tal Maguiver, a peça estragada, mas, sinceramente, não sei se vai dar certo. Talvez tenha que mandar vir de Portugal ou de São Vicente, se houver. Enquanto isso, vou usando o portátil da minha colega e, uma vez por dia, postar qualquer coisa, para não perder o hábito.

Só agora é que dou conta do quanto eu estava dependente do computador, da Internet e do Blogue. O que vale é que já me inscrevi numa comunidade na Internet, Internautas Anónimos, que se reúnem 5 vezes por dia, on-line, com o objectivo de acabar com este vício. É melhor não arriscar. Detesto vícios.

Entretanto, e apesar deste contratempo, o contador de visitas do blogue continua a surpreender. Cerca de 70 visitas diárias. Além disso, nunca se comentou tanto como nas últimas semanas. Facto que me deixa muito contente e agradecido. Continuem a passar por cá.

terça-feira, maio 10, 2005

Falando sério

Dentre os milhares de emails que rolam pela net alguns nos chamam a atenção pelo conteúdo (outros pela falta deste). Certa vez recebi um que tratava do assunto "o problema do mal". Por que existe e quem o criou? Como que num desafio, os não cristãos afirmam ironicamente que se Deus criou todas as coisas obviamente está aí incluído o mal, a maldade. E consideram que se nossas ações são um reflexo do que somos então, Deus é mau. Depois de refletir um pouco sobre isso, uma pessoa, em resposta a quem fez as afirmações anteriores disse o seguinte: O frio existe? O outro respondeu que sim porque ele o sentia. Mas aquele o corrigiu dizendo que segundo as leis da física o frio não existe. Todo corpo ou objeto pode ser estudado quando tem ou transmite energia, mas é o calor e não o frio que faz com que tal corpo tenha ou transmita energia. O zero absoluto é a ausência total e absoluta de calor, todos os corpos ficam inertes, incapazes de reagir, mas o frio não existe. Criamos esse termo para descrever como nos sentimos quando nos falta o calor. Da mesma forma a escuridão, que é na verdade a ausência de luz. Podemos estudar a luz, mas a escuridão não. O prisma de Newton decompõe a luz branca nas varias cores de que se compõe, com seus diferentes comprimentos de onda. A escuridão não. Um simples raio de luz rasga as trevas e ilumina a superfície que a luz toca. Como se faz para determinar quão escuro está um determinado local do espaço? Apenas com base na quantidade de luz presente nesse local, não é mesmo? Escuridão é um termo que o homem criou para descrever o que acontece quando não há luz presente.
Voltando-se aos que questionaram acerca de quem fez o mal, perguntou: O mal existe? Em resposta ouviu que sim, o mal existe porque podemos ver os crimes, a violência, a crueldade...
Concluindo a questão ele disse: O mal é, como nos casos anteriores, um termo que o homem criou para descrever essa ausência de Deus, a ausência do bem. Não é como a Fé ou o Amor, que existem como existe a Luz e o Calor. O mal resulta de que a humanidade não tenha Deus presente em seus corações. É como o frio que surge quando não há calor, ou a escuridão que acontece quando não há luz.
É um assunto ainda bastante debatido pelos teólogos. O enigma do mal. Desperta calorosos debates e ainda não há um consenso. Mas é bom pensarmos nestes assuntos. O texto acima traz uma explicação bem simplista, qual é sua opinião? O mal (ou desgraça) citado em Isaías 45.7 é o MAL absoluto ou o mal circustancial?

segunda-feira, maio 09, 2005

Problemas técnicos

Acabo de estragar o cabo de alimentação do meu portátil. O que é, diga-se, uma enorme chatice. Ainda para mais em São Nicolau. Mas, como a coisa é só um simples fio, pode ser que, em um ou dois dias, consiga encontrar alguém que me o conserte.

domingo, maio 08, 2005

Onde estás tu Mamã?



*Para a minha querida mãe. Claro.

sábado, maio 07, 2005

Tears of the Sun

A única coisa para o mal triunfar é que os homens bons não façam nada. Edmud Burke

Defenestração

Certas palavras têm o significado errado. Falácia, por exemplo, devia ser o nome de alguma coisa vagamente vegetal. As pessoas deveriam criar falácias em todas as suas variedades. A Falácia Amazônica. A misteriosa Falácia Negra. Hermeneuta deveria ser o membro de uma seita de andarilhos herméticos. Onde eles chegassem, tudo se complicaria.
- Os hermeneutas estão chegando!
- Ih, agora é que ninguém vai entender mais nada...
Os hermeneutas ocupariam a cidade e paralisariam todas as atividades produtivas com seus enigmas e frases ambíguas. Ao se retirarem deixariam a população prostrada pela confusão. Levaria semanas até que as coisas recuperassem o seu sentido óbvio. Antes disso, tudo pareceria ter um sentido oculto.
- Alo...
- O que é que você quer dizer com isso?
Traquinagem devia ser uma peça mecânica.
- Vamos ter que trocar a traquinagem. E o vetor está gasto.
Plúmbeo devia ser um barulho que o corpo faz ao cair na água. Mas nenhuma palavra me fascinava tanto quanto defenestração. A princípio foi o fascínio da ignorância. Eu não sabia o seu significado, nunca lembrava de procurar no dicionário e imaginava coisas. Defenestrar devia ser um ato exótico praticado por poucas pessoas. Tinha até um certo tom lúbrico. Galanteadores de calçada deviam sussurrar no ouvido das mulheres:
- Defenestras?
A resposta seria um tapa na cara. Mas algumas... Ah, algumas defenestravam. Também podia ser algo contra pragas e insetos. As pessoas talvez mandassem defenestrar a casa. Haveria, assim, defenestradores profissionais. Ou quem sabe seria uma daquelas misteriosas palavras que encerravam os documentos formais? "Nestes termos, pede defenestração..." Era uma palavra cheia de implicações. Devo até tê-la usado uma ou outra vez, como em:
- Aquele é um defenestrado.
Dando a entender que era uma pessoa, assim, como dizer? Defenestrada. Mesmo errada, era a palavra exata. Um dia, finalmente, procurei no dicionário. E aí está o Aurelião (dicionário do Aurélio Buarque) que não me deixa mentir. ¿ Defenestração¿ vem do francês ¿defenestration¿. Substantivo feminino. Ato de atirar alguém ou algo pela janela. Ato de atirar alguém ou algo pela janela! Acabou a minha ignorância mas não a minha fascinação. Um ato como este só tem nome próprio e lugar nos dicionários por alguma razão muito forte. Afinal, não existe, que eu saiba, nenhuma palavra para o ato de atirar alguém ou algo pela porta, ou escada abaixo. Por que, então, defenestração? (...) Quem entre nós nunca sentiu a compulsão de atirar alguém ou algo pela janela? A basculante foi inventada para desencorajar a defenestração. Toda a arquitetura moderna, com suas paredes externas de vidro reforçado e sem aberturas, pode ser uma reação inconsciente a esta volúpia humana, nunca totalmente dominada. Na lua-de-mel, numa suíte matrimonial no 17º andar.
-Querida...
-Mmmm?
- Há uma coisa que preciso lhe dizer...
-Fala, Amor
-Sou um defenestrador.
E a noiva, em sua inocência, caminha para a cama: Estou pronta para experimentar tudo com você! TUDO! Uma multidão cerca o homem que acaba de cair na calçada. Entre gemidos, ele aponta para cima e babulcia:
- fui defenestrado...
Alguém comenta:
- Coitado. E depois ainda atiraram ele pela janela?
Agora mesmo me deu uma estranha compulsão de arrancar o papel da máquina, amassá-lo e defenestrar esta crônica. Se ela sair é porque resisti.

Crônica - Luís Fernando Veríssimo

Pequenos prazeres de fim de semana

O bom do sábado é que posso ficar na cama até às 10 horas, ouvir um CD do Palma (CD2/Acto Contínuo/1982), e ainda assim poder comer um prato de Nestum sem medo de perder o apetite para o almoço. O dia tem tudo para correr bem.

Ao meu encontro na estrada

Disseste que vinhas
E não chegaste
Mudaste de planos, ok

Mas isso deitou-me tão abaixo
Espero que tenhas pensado bem
Estou triste que só eu sei
Preciso de alguém

Andava louco de contente
Só com a ideia de te voltar a ver
Ahh, mas que grande idiota
Voltei a perder

E agora toca a arranjar o buraco
Que eu tenho no coração
Vou mudar de cenário
Que a coisa assim está mal parada
Vou procurar calor
Mudar de estação...

Jorge Palma

Coisas Simples

sexta-feira, maio 06, 2005

Desabafos frente ao espelho

No outro dia, estava, frente ao espelho, a lamentar-me para a minha colega que estava muito magrinho, cheio de rugas e feio. O que vale é que ela, percebendo que eu estava a precisar de um elogio, me disse logo de seguida, para eu não me preocupar muito, pois, pelo menos, continuava com uma excelente visão.

Outros futebóis...

São Nicolau anda em grande alvoroço. Tudo por causa do futebol. Passo a explicar. Durante o fim de semana passado, na última jornada do campeonato de futebol aqui da ilha, o Atlético, a minha equipa – não tivesse ela o símbolo idêntico ao do grande Benfica – sagrou-se campeão regional, apurando-se assim para a última fase do campeonato nacional de Cabo Verde. Ainda para mais, ganhou último jogo por 3-0 aos seus eternos rivais aqui da vila, a Ribeira Brava. Imagine-se a festa. Porém, ontem à noite, a vila agitou-se de novo. Eram pessoas aos gritos, carros a apitar, buzinas, tambores. Uma repetição da festa do fim de semana. Mas com outras cores... Pois, ao que parece, a Federação de Futebol de Cabo Verde retirou, na secretaria, 3 pontos ao Atlético, 1º classificado, e 3 pontos à Ultramarina, 2º classificado, tornando assim a equipa da Ribeira Brava, 3ª classificada, o novo campeão de Futebol de São Nicolau. De forma a perceber melhor o ridículo da coisa, direi que, fazendo o paralelo com Portugal, seria a mesma coisa que o Porto, este ano, ainda fosse campeão do campeonato português. Absurdo não é? Como diria um amigo meu, só mesmo em Cabo Verde...

Poema destinado a haver domingo

Bastam-me as cinco pontas de uma estrela
E a cor dum navio em movimento
E como ave, ficar parada a vê-la
E como flor, qualquer odor no vento.

Basta-me a lua ter aqui deixado
Um luminoso fio de cabelo
Para levar o céu todo enrolado
Na discreta ambição do meu novelo.

Só há espigas a crescer comigo
Numa seara para passear a pé
Esta distância achada pelo trigo
Que me dá só o pão daquilo que é.

Deixem ao dia a cama de um domingo
Para deitar um lírio que lhe sobre.
E a tarde cor-de-rosa de um flamingo
Seja o tecto da casa que me cobre

Baste o que o tempo traz na sua anilha
Como uma rosa traz Abril no seio.
E que o mar dê o fruto duma ilha
Onde o amor por fim tenha recreio.

Natália Correia

hoje já é sexta-feira?

quinta-feira, maio 05, 2005

Frase do dia

Por maior que seja o buraco em que um gajo está, note que, enquanto não houver terra por cima, a coisa ainda está bem boa.

Nomes

Ando às voltas com a escolha do nome da minha filha. Não é uma tarefa fácil, já que é uma coisa que ela vai levar por toda sua vida. Os leitores portugueses devem saber que aqui no Brasil vale toda e qualquer criatividade, desde que não exponha a criança a nomes humilhantes como se via antigamente (era permitido palavras de baixo calão ou com sentido pejorativo). Confesso que diante de tantas opções fico desnorteada. Mas a propósito disso (nomes) estive pensando acerca dos sobrenomes. É comum vermos sobrenomes de plantas ou árvores tipo: pereira, silva, narciso, oliveira, figueira, pinheiro... Também vemos sobrenomes de animais de grande ou pequeno porte tipo: leão, pinto, sardinha, galo, carneiro, cordeiro, coelho... É aí que está a injustiça. O cão, que dizem ser o melhor amigo do homem, não aparece como alternativa para sobrenome (eu pelo menos não conheço nenhum José Cão, ou Ana Cachorro, ou Paulo Cadela...). Pelo contrário, é até ofensivo chamar alguém assim. Enfim, as injustiças da vida.

Espécie de Vampiro

Eu não sou quem tu desejas
Eu não sou aquele que beijas
Sou um mero pesadelo ou fantasia
Eu sou muito mais que velho
E intimido qualquer espelho
Sou o amigo mais funesto da poesia

Sou um tipo de morcego
Que é completamente cego
Embora, às vezes, seja fã do Fritz Lang
Sou uma espécie de vampiro
E quando sobre ti me atiro
É para saborear um pouco do teu sangue
Só para beber gota a gota o teu sangue
(...)

Jorge Palma

Como podes sorrir no meio da escuridão?

roubado do Observa Bem

quarta-feira, maio 04, 2005

Professorices II

No teste do 8º ano, coloquei a seguinte questão:

A Ana foi a uma boutique comprar uma blusa. O preço marcado na blusa era de 1500 escudos, mas o dono da boutique fez-lhe um desconto de 20%. Quanto pagou a Ana pela blusa?

Resposta de uma aluna:

Porfesor, eu não sei esta matéria, mas não priocupe-se que aqui não fasem discontos.

E pronto. Aí está a prova que a TV portuguesa anda a influenciar os meus alunos especialmente com aqueles programas super educativos tipo Malucos do Riso e Zero no Comportamento. De qualquer forma, esta resposta sempre me deu ânimo para corrigir mais uns quantos testes. Haja paciência...


O Passageiro Português

Nestes últimos anos, tenho tido oportunidade de viajar por diversos locais e em diferentes companhias aéreas. Desta forma, já deu para perceber que os passageiros aéreos portugueses são, sem qualquer espécie de dúvida ou apelo, os piores co-passageiros do mundo. De facto, os passageiros portugueses sabem, como nenhum outro povo, embaraçar profundamente o compatriota consciente. Há certas características que automaticamente os destinguem. Mal as nádegas estabelecem contacto com o assento, já está de indicador em riste, empurrando o botão de chamada da hospedeira. Ele quer almofadas, mantas, pantufinhas de longo alcance, copos de água gelada, jornais estrangeiros em língua que desconhece completamente, e, mais que tudo, a total atenção de quem está lá só para servir, a ele, senhor passageiro. São os “reizinhos do ar”. Na terra, são seres tão insignificantes como os outros. Mas deixem levantar o trem de aterragem e vejam-nos transformarem-se em Suas Majestades. Passam cinco minutos a usufruir do jacto de ventilação, dirigindo-o às diversas partes do corpo, para grande irritação do indivíduo (estrangeiro) que está ao lado. Depois, quando já conseguiram moer a rosca ao ponto de já não ser possível parar a baforada constante de ar podre, chamam a hospedeira e exigem ser colocados noutro lugar.

Além de estarem sempre mas sempre de pé nos corredores, confundido-se natural e alegremente com a bicha para as retretes, a qualidade mais notória do passageiro português é a obstinada exigência de desfrutar de todas, mas todas as vantagens e regalias que oferece a viagem. O passageiro português raciocina “Isto vem incluído no preço do bilhete – e raios me partam se eu não hei-de comer aquilo que eu paguei cá com o meu dinheirinho.” E assim, bebem tudo o que há de grátis para beber e, independentemente de gostos e apetites, devoram integralmente o almocinho de plástico que lhes é servido, roendo religiosamente a azeitona e a fatia moribunda de ananás, sem perder uma única passagem de cafeteira.

Mal o avião aterra, levantam-se e ficam horas, dobrados, de pé, à espera que chegue o autocarro para se abrirem as escotilhas. Atropelam-se no corredor para serem os primeiros a sair, apesar de saberem que ainda durará um bom bocado antes da chegada da bagagem. Quando lhe aparecem as malas no carrocel do aeroporto, gritam “Olha a minha! Olha a minha!”, como crianças a presenciar um acto de magia.

Enfim, é por estas e por outras que, na altura de se preencher o cartão de desembarque, quando revelamos publicamente a nossa envergonhada nacionalidade, é avassalador o desejo de escrever “filandês” , “turco” ou “iraquiano que não tem nada a ver com estes gajos”.

* Post inspirado/adaptado de uma crónica, lida numa aula em que estava a dar teste, do livro " A Causa das Coisas", de Miguel Esteves Cardoso

Recomeça...

Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga

O ganha pão de muita gente!

in Palavra Imagem (São VIcente / Cabo Verde)

Professorices

É nesta altura de corrigir testes que eu invejo os professores que ainda usam aquele método clássico de os atirar ao ar...

terça-feira, maio 03, 2005

Carta da Liga de Futebol dirigida ao Benfica

Tendo V. Ex.as de se deslocar ao terreno de um adversário dentro de 1 semana, agradecemos o preenchimento do formulário em anexo, a fim de que possamos tomar as necessárias providências :

1. Em que Estádio desejam V.Ex.as jogar ?
- No estádio do adversário __
- Num estádio a mais de 100 Kms da terra do adversário __
- Num estádio de baisebol nos Estados Unidos __
- No estádio da Luz __

2. A partir de que minuto do primeiro tempo desejam V.Ex.as o primeiro cartão vermelho para um jogador adversário?
- Primeiro minuto __
- Vigésimo quarto minuto __
- 5 minutos antes do intervalo __
- Dependendo de como estiver a correr o jogo, informaremos o árbitro no local __

3. Pretendem V.Ex.as marcar o primeiro golo através :
- De um fora de jogo do senhor Mantorras __
- De um livre marcado por uma falta inexistente __
- De um penalty fantasma __
- Dependendo de como estiver a correr o jogo, informaremos o árbitro no local __

4. A fim de não dar muito nas vistas, sugerimos que osenhor Petit ou o senhor Simão sejam punidos com um cartão amarelo. Agradecemos que nos digam em que momento :
- Quando o senhor Petit fizer a octogésima terceira falta dura __
- Quando senhor Petit fizer a décima quarta tentativa de homicídio __
- Quando o Senhor Simão simular a sexagésima quinta falta __
- Nunca, era o que faltava, mostrarem cartões aos nossos jogadores __

5. A fim de não cometermos erros agradecemos nos indiquem a composição da equipa de arbitragem para o jogo em questão :


Com os nossos cumprimentos ao campeão nacional 2004/2005

Liga Portuguesa de Futebol Profissional

* e-mail recebido num destes dias

Há dias assim...

Georgia O'Keeffe

*(imagem roubada de um blogue qualquer)

segunda-feira, maio 02, 2005

Citação

A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo. Peter Drucker

Desabafo para consumo interno

Como devem imaginar, ao estar a trabalhar fora do meu país, deparo-me com muitas situações merecedoras de um comentário. Porém, sobre Cabo Verde, e por razões contratuais e de respeito pelo país que represento, tenho evitado fazer comentários depreciativos ou de índole político. Tenho também evitado falar sobre os problemas que os professres cooperantes que aqui trabalham enfrentam. Pois, não se pense que tudo é um mar de rosas. A verdade é que a nossa situação profissional, e o próprio Projecto de Cooperação, está muito aquém do desejável. Talvez por isso, fosse normal que os mais interessados nesta situação, ou seja os cooperantes, fizessem algo para a alterar. Mas é precisamente o contrário que acontece. Coisa típica de português, eu acho. Todos têm problemas. Todos têm opiniões. Todos dizem mal. Todos acham que sim. Mas depois, todos são inconsequentes e incapazes de se unirem em redor de um objectivo comum. Muitos dizem-me, que não vale a pena e que já não estão para se chatear. No fundo, acreditam é que haverá sempre alguém a fazer o nosso papel, a lutar pelos nossos direitos. E isso incomoda-me. Aliás, confesso que este sentimento de resignação e desinteresse, mais do que me incomodar, já me começa a chatear. Parece que estão todos conformados com este fatalismo que julgam traçado. Porém, eu ainda acredito que estamos a tempo de fazer algo. Nem que seja apenas a nossa parte. Nem que seja só pelos nossos interesses pessoais...

Situações embaraçosas

Na escola, tenho uma colega que é estrábica. E como se deve calcular, por muito que se evite, acabamos sempre por cair numa situação embaraçosa. Hoje, pela manhã, ao encontrá-la na rua assim meio ensonada, tivemos o seguinte diálogo:

- Então Manuela que cara é essa?
- Estou com sono.
- Eu logo vi. Com esses olhos não enganas ninguém.

Pois.

domingo, maio 01, 2005

Dia do Trabalhador

Este ano o dia do trabalhador caiu no dia do descanso. Se bem que atualmente já não existe mais um dia de descanso oficial. As pessoas trabalham cada vez mais (claro que temos exceções como no caso do nosso amigo em comum que tem mais descanso que trabalho). Se isso mudasse até estranharíamos porque se o domingo é o nosso dia de descanso queremos que outros estejam a trabalhar para nos atender em nossas compras, passeios, cineminha, almoços e coisas assim.
Por aqui no Brasil todo 1º de maio temos o "aumento" do salário mínimo, que é bem mínimo mesmo. Pasmem, mas existem muitas famílias que vivem, ou melhor, sobrevivem com esse tal mínimo. Não é esmola do governo não, é salário mesmo. Há pessoas que estão empregadas recebendo este valor e por isso são até invejados pelos que nem isso têm. O valor atual do mínimo nacional é de R$ 260,00 (cerca de 80 Euros) e vai subir para a "generosa" quantia de R$ 300,00 (+ ou - 93 Euros). Ou seja, muito mal vai acompanhar a inflação no mesmo período. Não sou boa em matemática mas sei perfeitamente que sobreviver com esse valor por um mês é coisa de mágico. Imaginem um mês comum, daqueles que têm 30 dias. Dividindo os tais R$300,00 daria a "farta" quantia de R$ 10,00 por dia (ou cerca de 3 Euros diários). Bom, até que não seria "tão mau" se realmente o pobre indivíduo trabalhador recebesse mesmo esse valor líquido, mas tem também os descontos para a previdência, sindicatos, transportes...
Como diria um conhecido repórter brasileiro: Isso é uma ver-go-nha. Me desculpem o mau humor, mas é realmente difícil comemorar o dia do trabalhador nessas condições, quer dizer, nessa falta de condições.